Por Fau Barbosa

​Na manhã desta terça-feira(4), os trabalhadores da Delphi Automotive fizeram um protesto pacífico contra a transferência da empresa para Piracicaba(SP).

A manifestação teve início em frente à empresa, no km 30 e seguiu pela Rodovia Raposo Tavares, passando pela marginal do Extra, até acessar o viaduto do km 33 e subir pelo centro de Cotia, rumo a Câmara Municipal.

O objetivo da manifestação foi sensibilizar as autoridades para que possam atuar junto a empresa em busca da revogação da decisão de transferência da unidade.

Em frente à Igreja Matriz, cerca de 200 trabalhadores rezaram um Pai Nosso e gritando palavras de ordem como "Não ao desemprego", seguiram até a Câmara de Cotia.

Lá foram recebidos por alguns vereadores, entre eles o presidente, Sergio Folha, o qual ressaltou que a Casa de Leis fará o que estiver ao seu alcance para manter a Delphi no município. “Estamos aqui para buscar soluções junto com vocês. No que depender da Prefeitura e da Câmara Municipal, estamos aqui para dar total apoio naquilo que precisar de Leis e incentivo para estar segurando a empresa na cidade”, ressaltou. Segundo Folha, o Prefeito Carlão Camargo deve receber a diretoria da Delphi, ao lado da diretoria do Sindicato, para juntos buscarem uma solução para o problema.

Segundo o presidente do Sindicato, Jorge Nazareno, os rumores sobre uma possível mudança de planta já eram antigos. Em maio, mais uma vez o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e a empresa se reuniram e uma das pautas eram esses boatos. A empresa respondeu que haviam estudos.

“Lamentavelmente a empresa se coloca numa situação muito cômoda ao dizer que está dando oportunidade para o trabalhador escolher ir com ela para Piracicaba. Estamos falando em mais de 150km de distância e não numa ida ao shopping". E finalizou: "Não estamos vindo ao Poder Público em busca só de solidariedade, mas em busca de empenho para manter a empresa da cidade. A certeza da derrota é para aqueles que não lutam", frisou.

O diretor do Sindicato, Alex da Força, destacou que os trabalhadores passaram o dia anterior inteiro e a noite em frente à empresa. "Hoje era para termos muito mais gente aqui, mas fizemos uma divisão, garantindo a manutenção da greve por tempo indeterminado e uma parte maior que somos nós, viemos caminhando pacificamente desde o km 30 até aqui. Poderíamos simplesmente aceitar o que foi imposto pela empresa e ficar se lamentando, mas nós preferimos o caminho mais difícil, mas que é o caminho mais valoroso, que é o caminho de levantar a cabeça e ir para a luta. Não existe vitória se não tiver luta", enfatizou.

De lá, os trabalhadores seguiram para a Prefeitura de Cotia, onde foram recebidos pelo Secretário de Gabinete José Lopes e pelo vice-prefeito Moisés Cabrera.

Moisés disse que no que depender da Prefeitura, do Prefeito Carlão Camargo e dos vereadores, a empresa vai continuar na cidade. "Muitas vezes na vida nós somos surpreendidos, não sabemos o que vai acontecer na nossa vida, mas não podemos perder a esperança", disse.

"Estamos à disposição de vocês, e o que puder ser feito pelo Poder Público, vai ser feito", relatou o vice-prefeito, convidando os presentes para darem as mãos, fazendo uma oração.

A greve
Os trabalhadores estão em greve desde o início da manhã de segunda-feira, 3, indignados com a mudança. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, a notícia foi dada na última quarta-feira, 29, sem qualquer negociação ou chance de planejamento para os trabalhadores. "Foi-lhes oferecido o exíguo prazo de 30 dias dado pela empresa para que tomem a decisão sobre a ida para o novo endereço", disse o Sindicato.

Ao todo, são 700 trabalhadores cujos empregos estão sob ameaça. “Eu me sinto apunhalado pelas costas”, resumiu um trabalhador, que está na Delphi há 20 anos e que não se imagina saindo da cidade de Cotia, onde vive há 40 anos.

“O problema é a forma como está sendo conduzida a mudança, sem dar um prazo para a gente se planejar. Todo mundo tem dívida, tem esposa que trabalha, filho que estuda aqui. Não se muda uma vida assim”, afirmou outro trabalhador.

Segundo o Sindicato, o caminho é a mobilização e a negociação. “Não estamos dizendo que a gente não negocia, a gente quer a negociação e é nessa linha que a gente quer buscar o
caminho da permanência da planta em Cotia”, avalia o presidente, Jorge Nazareno.

A manifestação contou com o apoio de viaturas da Polícia Rodoviária, da Polícia Militar, da Guarda Civil e do Demutran.

Fotos: Fau Barbosa

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