Lançada em junho, publicação dá orientação sobre como atender as pessoas com deficiência, com dicas de relacionamento para melhorar a comunicação, independente de suas limitações.

A Polícia Militar nunca esteve tão próxima das pessoas com deficiência. No mês de junho, foi lançada uma cartilha de orientação ao policial militar sobre como atender as pessoas com deficiência, com dicas de relacionamento para melhorar a comunicação, independente de suas limitações. "O tema está inserido na PM desde 2000, através dos cursos de qualificação. A cartilha marca um avanço sobre a relação do deficiente com a polícia", disse a major Georgia Abilio Publio Mendes, idealizadora do projeto.

O ponto de partida foi uma tese de mestrado do curso do Centro de Altos Estudos de Segurança (CAES), quando foi despertada a necessidade de ter uma participação mais efetiva da PM com os grupos vulneráveis, com informações, dicas e orientações. Outro fator que contribuiu para a elaboração da cartilha é a parcela expressiva da população brasileira que possui algum tipo de deficiência. Somente na Capital, estima-se que existam mais de 1 milhão de deficientes, segundo o Censo 2000.

A cartilha foi elaborada através de inúmeras entrevistas, ouvindo desde especialistas da área pra saber o que eles pensam sobre a polícia até os próprios deficientes. O trabalho de campo foi concentrado na região da Vila Mariana, zona sul da Capital, onde estão 40% das instituições de atendimento ao deficiente.

"A cartilha vai melhorar a comunicação, vai qualificar o policial militar e, principalmente, despertar o interesse de que nós podemos estar tratando de uma pessoa com deficiência. É a Polícia Militar mais próxima dos grupos vulneráveis", disse a major Georgia, que enfatizou que a cartilha será fornecida a todo o efetivo da PM.

Cuidado com o deficiente
Um dos pontos levantados durante o processo de elaboração da cartilha foi a comunicação. O estudo apontou que, muitas vezes, o policial militar não sabe como se comunicar para ajudar um deficiente da melhor forma possível.

"O policial é visto como referência ao cidadão em diversas situações, seja em um momento de ajuda ou socorro e até mesmo para uma simples informação. O deficiente necessita de um cuidado especial, de uma atenção diferente. Para atravessar a rua com um cego, por exemplo, existe uma forma correta conduzi-lo. Essas questões, que parecem simples, são mais comuns do que a gente imagina", disse o presidente da Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP), Elcio Inocente.

Para o tenente reformado da PM Luis Fernando Cavalli, a cartilha irá aproximar o deficiente da polícia. "Todo o profissional que trabalha com público, eventualmente vai atender um deficiente, e cabe a ele prestar um atendimento da melhor forma possível, com toda a segurança. Alguns cuidados têm de ser tomados. No momento em que for orientar algum deficiente, o policial tem de ter uma atenção com os termos que for utilizar, para não causar nenhum tipo de constrangimento".

Cavalli, que é membro do Conselho Municipal de Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência de Vinhedo, foi reformado da PM após sofrer uma lesão medular em um acidente. No dia 24 de agosto, durante a Semana da Pessoa com Deficiência, a cartilha da PM será um dos temas abordados e apresentados pelo tenente.

O material
A cartilha possui orientações para todos os tipos de deficiência, seja física, visual, auditiva, intelectual ou múltipla. As dicas irão auxiliar o policial no dia a dia, em situações corriqueiras, em que muitas vezes falta informação sobre como agir e atender o deficiente.

O material, com fotos ilustrativas para facilitar o entendimento, exemplifica casos que ocorrem com certa frequência, como os procedimentos que devem ser feitos para ajudar um cadeirante a subir uma escada de degraus de forma segura.

A cartilha também possui dicas de como se comunicar com um deficiente de forma adequada - por exemplo, como falar com uma pessoa com deficiência auditiva. A cartilha possui alguns sinais utilizados com frequência para se comunicar com um surdo.

Além disso, o policial militar ainda tem o alfabeto completo e os números em Braille e em libras. Com poucos centímetros de comprimento e de fácil manuseio, a cartilha pode ser carregada pelo policial militar e usada para auxiliar e tirar as dúvidas ao longo do dia de trabalho.

O trabalho foi desenvolvido com o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo, Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo e entidades ligadas ao atendimento à pessoa com deficiência situadas na região da Vila Mariana (AACD, Apae, Derdic e Lar Escola São Francisco) e no interior.

Da Redação com a Assessoria de Imprensa e Comunicação da Secretaria da Segurança Pública

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