Por Rodrigo Rezende

A Comissão de Administração Pública de São Paulo realizou no último dia 19 de junho uma audiência pública, para discutir as possíveis soluções de melhorias no tráfego de veículos na Rodovia Raposo Tavares e seu entorno.

A audiência foi iniciativa da Associação dos Moradores Amigos do Parque Previdência, com a colaboração do vereador Eliseu Gabriel (PSB), com a expectativa de reivindicar uma posição dos órgãos públicos, uma vez que as obras de melhorias previstas para o trecho entre os quilômetros 10,5 e 50 da rodovia ainda estão em fase de planejamento, e a população dos arredores não tem informações detalhadas sobre o projeto.

Para acompanhar esta resolução, contamos com a colaboração de Luciano Ahualli da Silveira, administrador e morador da Granja Viana há 30 anos, que participou da Audiência na Câmara Municipal de São Paulo, e nos trouxe informações importantes:

As obras previstas têm como objetivo esvaziar o trânsito local da Raposo a partir do quilômetro 15. Isso seria feito oferecendo aos moradores daquele entorno e outros usuários que ali chegam por transporte público, um acesso fácil ao metrô Morumbi e Vila Sônia, onde estarão conectados a diversos ramais do metrô e corredores de ônibus.

Para que isso aconteça, algumas implantações são necessárias. A mais impactante seguiria o traçado da Raposo Tavares com uma linha de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT - Monorail), que ligaria Cotia à estação de metrô São Paulo-Morumbi da linha 4, localizada na esquinas das avenidas Prof. Francisco Morato com Jorge João Saad.

Nessa estação também haveria o encontro entre o VLT da Raposo com os trens leves da linha 17, que passarão pelo estádio do Morumbi, Marginal Pinheiros, Água Espraiada, chegando até a região do Aeroporto de Congonhas.

Outra ação seria um corredor viário da EMTU com ônibus ligando Itapevi até a estação Butantã do metrô. Outros ônibus que trafegam na Raposo Tavares desviarão seu percurso, saindo da rodovia no viaduto do Peri Peri indo em direção ao metrô Vila Sonia.
Com isso, a SPTrans espera ajudar a melhorar o fluxo do trecho final da Raposo Tavares, incentivando os usuários a utilizar o transporte coletivo de alta capacidade - os trens do Metrô.

"Há também um entendimento para retirada do farol instalado na Raposo, na região do Parque Previdência. Ali se discute a construção de um túnel apenas com saídas, nas laterais da Rodovia. Esta solução não é bem vista por alguns moradores, já que várias seringueiras teriam que ser derrubadas", comenta Ahualli.

Perguntado sobre o estágio em que se encontram essas propostas e qual seria o cronograma de desenvolvimento das mesmas, Luciano diz que, exceto pelo trabalho da SPTrans na extensão do corredor de ônibus e do Metrô nas obras da estação Morumbi e Terminal Vila Sônia, todo o restante ainda está em fase de projeto, havendo um longo processo até a implantação.

"Isso pode parecer ruim, mas a verdade é que se reverte a nosso favor, uma vez que ainda há tempo para os usuários e moradores do entorno divergirem de alguns pontos e negociar alterações no projeto inicial, no qual não houve a participação popular", e completa, "A SPTrans foi muito clara quanto a isso: um dos representantes da empresa disse na Audiência que os projetistas utilizam os conhecimentos da técnica, mas o conhecimento da população sobre as necessidades é muito importante".
Representantes se dispuseram a alterar parte do projeto, caso seja apontada alguma melhoria para os usuários ou moradores da região.

Luciano diz não saber quais foram os estudos feitos. "Não nos apresentaram nada nesta primeira oportunidade, mas as próximas Audiências serão mais detalhistas e poderemos questionar estes assuntos".

Mas de forma geral, ficou resolvido que a Câmara Municipal de São Paulo vai convocar uma nova audiência, diferentemente desta primeira, que foi bem ampla e para conhecimento geral. A próxima será mais detalhada inclusive com assuntos previamente especificados.

Também serão convocados outros órgãos e empresas que fizeram falta para justificar algumas situações. Por exemplo, a CETESB que liberou construções às margens da rodovia, dando licenciamentos de instalação e funcionamento questionáveis na opinião de algumas entidades; a Sehab - Secretaria de Habitação, que será questionada sobre a falta de estudo de saturação populacional na região; a EMTU, para falar sobre as alterações de linhas e rotas dos ônibus que trafegam pela Raposo, e o Metrô, que terá a maior participação, detalhando todo o projeto do VLT sobre a Raposo Tavares.

Luciano não pertence a nenhum movimento representativo, mas vê como primordial a necessidade dos moradores da Granja Viana se integrarem ao grupo que se forma e defender coletivamente estas questões. "Gostaríamos de convocar outros que se sintam prejudicados pelo trânsito da Raposo a se defender também. É preciso uma manifestação de interesses para que a obra que nos servirá por décadas realmente seja aquilo que precisamos e que resolva nosso problema."

Concordamos com Luciano, a união dos moradores é necessária sim, mesmo porque a melhoria do trânsito na Raposo não depende só destas obras o problema continuará se não resolvermos a principal questão, que é a diminuição do tráfego, que só será solucionada através de mudanças nas leis de ocupação do solo e o mais importante, qualificar mão de obra especializada para que não precisemos de pessoas de fora vindo pra cá, resultando em mais carros, mais trânsito e mais caos.

Fonte: Site da Granja

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