A capa da revista VEJA da ultima semana de janeiro trazia a seguinte pergunta: Até quando vamos aceitar passivamente que, todos os anos, a temporada de chuvas mate centenas de brasileiros?

Moro no bairro Jardim Colibri que foi resultado de um loteamento feito em 1963 com terrenos de aproximadamente 1000m2, alguns com pouco menos, mas nunca menor que 800m2 e outros maiores chegando a 1700m2.

Quando mudei para Cotia, em 1989, logo teve o censo de 1990 que informava que Cotia tinha 90.022 habitantes. No censo de 2010 o município de Cotia conta com 201.203 habitantes.

Hoje, o Jardim Colibri tem visto sistematicamente a sua ocupação original sendo aviltada por aprovações de desmembramentos de lote ou aglutinação de lotes e posterior desmembramentos que ferem o espírito do loteamento inicial: terrenos de 1000m2 para construções unifamiliar.

Terreno que está sendo cerdado na via das glicínias com magnólias e exemplo das casas que irão fazer parte do empreendimento.

Um novo condomínio dentro do Colibri, será construído em 28000 m2. Serão feitas 64 blocos de duas casas semi-geminadas num total de 128, ou seja onde iríamos ter 28 casas teremos 128, 100 pessoas passam a ser 500 pessoas!

Vista do terreno mostrando área que já foi desmatada e ao fundo área que irá ser desmatada em futuro próximo

O que isto tem a ver com a pergunta da VEJA?

Tudo!
Um município que não cresceu em tamanho e não teve alteração em sua infra-estrutura, cresceu em 20 anos 123%. Ou seja, o adensamento populacional foi muito grande, portanto o número de residências e residentes aumentou. Isto acarretou a diminuição da cobertura vegetal, aumentou a população, aumentou a geração de lixo sólido e liquido. Aumento a temperatura média do município. Quando mudei para cá sentia o friozinho entrar pela janela do carro ao fazer a curva do km 21, hoje, a temperatura praticamente se mantém.

O espírito das pessoas que vieram para cá buscava um local amplo para viver, e hoje com a escolha da prefeitura em a seu bel-prazer mudar a estrutura dos loteamentos, tem trazido uma degradação na qualidade de vida de seus moradores:
- aumento da temperatura média;
- aumento dos congestionamentos;
- aumento da poluição do ar;
- aumento da poluição da terra;
- diminuição da cobertura vegetal.

Nosso município tem uma historia rica, tem uma participação importante na historia do pais, caminho dos bandeirantes. Nosso município tem importantes pontos turísticos. Nosso município ainda tem áreas agradáveis para se viver.

As ações da prefeitura precisam ser repensadas.
Devemos exigir um reconhecimento de nossa cobertura vegetal e aumentá-la, pois em futuro breve a cobertura vegetal valera muito mais do que o IPTU em potencial que uma casa ali possa gerar. Devemos buscar uma identidade turística para a cidade, pois o turista vem, usufrui e vai embora, deixando divisas resultado de sua estadia, alimentação e compras. Devemos olhar para a Granja Vianna do ponto de vista de sua criação e não de ser apenas mais um bairro louco e maluco como outro de São Paulo.

A prefeitura é responsável pela degradação da cidade que administra, pois tem permitido a construção de condomínios horizontais e villagios que nada tem a ver com o espírito da Granja Vianna.

E o resultado disso serão catástrofes que se não forem devido a cheias, podem ser devido ao aquecimento, ao travamento de nosso sistema viário fortemente dependente da Raposo Tavares.

Catástrofe anunciada que um futuro prefeito usará a resposta padrão:
- Ah! Mas isto foi devido a gestão passada.

Eles esquecem que eles representam a instituição prefeitura que tem existência antes, durante e depois da passagem deles eles são sim responsáveis pelo passado, pois já conheciam quando se candidataram.

Senhor prefeito coloque a mão na consciência e pare de arrasar com o SEU município. Que também é NOSSO.

Wanderley Moutinho de Jesus

N.R. Cópia dessa carta foi encaminhada à Secretaria de Habitação, Secretaria de Meio Ambiente  e Gabinete do Prefeito em 5/2/2011

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