É com muita alegria que o Portal Viva agrega mais uma pessoa de peso ao Projeto Raízes de Cotia. Apresentamos aos nossos leitores o escritor e pesquisador da História de Cotia, César Tibúrcio, que também é morador da cidade. Seja benvindo César!


"Dizem os mais antigos que por volta dos anos 30, em plena Revolução de 32, aqui em Cotia, grupos de reza se reuniam para rezar pela paz (inclusive para não acontecer a revolução).

A sra. Benedita Amélia Barreto Alves (dona Zizinha), era uma dessa pessoas, e contava pra filha, Conceição Alves (a Conceição do Marinho), uma história que um certo dia, estavam rezando na igreja da matriz, quando de repente entrou pela grande porta frontal, um cavalo meio cambaleando, nele estava um soldado que fazia parte das tropas de Getúlio Vargas e que passavam pela então Rodovia Raposo Tavares, bem no centro da cidade. Foi uma correria e gritaria danada, mas foi só para assustar as pessoas mesmo, nada de grave aconteceu, dona Conceição diz que todas as crianças ficavam com medo quando escutavam esta história.

Outra história é a da sra. Preciliana de Castro Pedroso e José Augusto Pedroso (Seu Juquinha, irmão do sr. Nho-nhô, eles moravam em frente onde é hoje a Câmara Municipal (a casa ainda existe), e lá mesmo eles aplicavam injeções, fazia tipóias de madeira, entre outros atendimentos médicos. Mas o que era mais famoso mesmo, era o “remédio de gotas” (tipo homeopata) que distribuia para toda Cotia, as pessoas vinham de longe para pegar o famoso remédio. Isso tudo por volta dos anos 30. Naquela época não esistia muitos médicos na cidade, tinha apenas o Dr. Waldemar, outro que vinha de São Roque uma vez por mês, e o sr. José Barros (farmaceutico) que morava numa casa em frente a igreja, atrás de um coreto. Após o falecimento do sr. Juquinha, em 1941, dona Preciliana continuou com os remédios e dizem que os distribuiu até no último dia de sua vida, em 1967 (hoje José Augusto Pedroso é nome de rua na vila São Francisco).

Por volta dos anos 40, não existia ainda a Caixa d´água no centro da cidade, nem Sabesp. Somente uma mina que existia perto de onde hoje é o Corpo de Bombeiros e a represa do Morro Grande, porém a água de lá não ia para o centro da cidade. Então decididos, os srs. Amantino Novaes Barreto (avô da sra. Conceição) e Joaquim Araújo (Bisavô do Preguinho), que eram operadores de bomba d´água no antigo “DAE” (empresa responsável pelo abastecimento de água, da época), resolveram organizar a construção de “canaletas” para trazer a  a água do Morro Grande até o centro da cidade. Dizem que foram meses de construção cortando caminhos no meio da mata (hoje Morro Grande, Jd. Sandra, Jd. São Miguel, Jd. Panorama, Jd. Santana, Jd. Arco Íris, etc.), pois naquela época não existia absolutamente nada nessa região. Dona Conceição lembra que quando criança, via seu avô chegar em casa no final do dia, todo sujo de barro e terra, ele e todos que trabalharam na construção, foram verdadeiros heróis de Cotia.


Os caminhões que passavam pela Rodovia Raposo Tavares, (centro da cidade) paravam no posto de gasolina do sr. Guido Fechio (avô do Guidinho), bem na Praça da Matriz (hoje loja de 1,99). Entre o armazém casas São José (hoje Supermercado Pedroso) e o posto havia uma casa de secos e molhados do Sr. Joaquim Alves, pai da dona Conceição (hoje loja de utilidades domésticas). Os caminhoneiros almoçavam e jantavam ali, as vezes até pernoitavam. Outro local para refeições era no bar e restaurante do casal Felício e Francisca Saviolli (pais dos Srs. Roque e Yolando Savioli, hoje papelaria Saviolli). Ela lembra com muito carinho que os caminhoneiros amigos brincavam com seu pai perguntando:

- Sr. Joaquim, o senhor conhece louro em pó, sardinha em pó?
- Não, não conheço.
- Então vai na venda do sr. Nho-nhô, do outro lado da rua que lá tem, lá  tem tudo em pó.

É claro que naquela época não existia nada disso, tudo era vendido a granel (por peso, solto), e todos riam muito. Mal sabiam eles que no futuro, muita coisa iria ser “em pó”.  

Como era Cotia no passado? Como as pessoa viviam? São perguntas que se não perguntarmos às pessoas certas...certamente se perderão no tempo...

Histórias como essas, estimulam a vontade de conhecer o passado da nossa cidade...

Redescubra o passado!" 

Cesar Tiburcio

Acervo: Maria Pedroso

Agradecimentos: Conceição (do Marinho)

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