Sem dúvida alguma, os desfiles de Cotia sempre foram eventos marcantes para a população e se tornaram uma atração à parte nas comemorações festivas do aniversário da cidade.

Antigamente, nas manhãs de dois de abril ou sete de setembro, as pessoas  acordavam cedo para acharem um bom lugar nas estreitas ruas do centro da cidade (Rua Batista Cepelos e Senador Feijó).

Fazendo um pequeno resumo sobre os desfiles, ficaria assim:

Por volta da década de 50, os desfiles eram apenas as escolas estaduais e depois a banda tocava (foto 1) (não existia a fanfarra). A organização basicamente era das escolas em parceria com a prefeitura.

Foto 1 - Acervo Maria Aparecida Pedroso

Na década de 60 quando as indústrias começaram a chegar a Cotia, a prefeitura começou a convidá-las para participarem dos desfiles (foto 2). Naquela época a cidade tinha por volta de 50 mil habitantes e 2 mil alunos distribuídos em 10 escolas estaduais.

Foto 2 - Rua Senador Feijo

Na década de 70 também participavam dos desfiles o Exército, Marinha e a Aeronáutica, com bandas e as vezes carros bélicos, a presença da Guarda Mirim (foto 3) e dos Escoteiros também eram marcantes, assim como os colégios particulares.

Foto 3 - acervo Cesar Tiburcio

No começo da década de 80 os desfiles foram marcados com muito colorido (foto 4), em especial o de 1984 pela apresentação da frota de carros (Fiat 147) da Guarda Municipal (foto 5) e pelo modismo da época como “A turma do Balão Mágico” (foto 6) e o que muita gente não sabe, o balão  era do Truffi, que ficava no Rio Cotia.

Foto 4 - acervo Cesar Tiburcio

Foto 5 - acervo Cesar Tiburcio

Foto 6 - acervo Cesar Tiburcio

As escolas estaduais participavam também com apresentação de suas próprias bandas (foto 7). As empresas “apadrinhavam” algumas escolas e durante os desfiles eram avaliadas por jurados que premiavam as melhores apresentações. Os clubes, como o Arakan Club e Santa Cruz, também marcavam presença, juntamente com os Romeiros de Caucaia.

Foto 7 - acervo Cesar Tiburcio

Todos que iam desfilar eram organizados nas proximidades da Delegacia, passavam pela Rua Batista Cepelos e quando chegavam na frente de onde hoje é a Câmara Municipal, todos se arrumavam, pois em seguida passariam no local de máxima importância que era em frente à Igreja da Matriz. Ali ficava o palanque com as autoridades, prefeito, vereadores, convidados e jurados, e uma grande quantidade de pessoas que se acotovelavam para assistir a tudo. Continuando, o desfile “descia” a estreita Rua Senador Feijó. Algumas vezes o desfile aconteceu do lado contrário, ou seja da Rua Senador Feijó “subindo” para a Rua Batista Cepelos.

Logo depois das escolas vinham os carros oficiais da prefeitura, como por exemplo, ambulâncias, em seguida as empresas da cidade. Muitas marcaram forte presença em vários desfiles, tais como: Alcoa, Nogan, Genovesi, CAV, Calfat, CAC, Lewis, Munck (foto 8), Vastec, Corneta (que tinha uma particularidade, desfilava com carros antigos, tipo calhambeques). Quando as empresas se apresentavam o desfile ganhava mais beleza.

Foto 8 - acervo Cesar Tiburcio

Em seguida aconteciam as tão esperadas apresentações das fanfarras e bandas marciais e é claro nossa preciosa Fanfarra Regente Feijó (foto 9).

FOTO 9 - acervo Cesar Tiburcio 9

No final do desfile, as pessoas já estavam acostumadas com uma “quase surpresa” atração de encerramento, que normalmente eram: Carros que faziam acrobacias, derrapadas, saltavam rampas e andavam com duas rodas (foto 10), (no qual eu apareço no meio do público, ainda criança), helicóptero jogando pétalas de rosas, aviões da esquadrilha da fumaça dando rasantes, luta livre no Ginásio de Esportes (suvacão), paraquedistas,  futebol com veteranos no campo do Cotiano, etc. Tudo sempre no maior clima de festa.

Foto 10 - acervo Cesar Tiburcio

Figurinha carimbada que aparece em todo desfile é sempre um folclórico cachorro de rua que aparece não se sabe de onde e fica perambulando o desfile inteiro, e o mais curioso, é que fica chamando a atenção de todos, como vemos na foto 11.

Foto 11 - acervo Mauro Pires

Grande parte da população de Cotia já desfilou quando criança, hoje são pais e até avós que deveriam contar essas lembranças para as crianças de hoje, de quando desfilaram, das tradições e modismos do passado, pois mesmo não sendo registrados pelas lentes das máquinas fotográficas, os desfiles estão presentes nas lembranças de todos que participaram ou assistiram esse “mágico” evento municipal.

César Tibúrcio

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