Por Marcos Martinez

"Este foi o artigo mais difícil de escrever. O tema em pauta mistura muita ficção e fatos históricos. Utilizei quase todos os recursos científicos proporcionados pela pesquisa, com o objetivo de separar a ficção da realidade e o resultado foi um fiasco.

Ficção e realidade: estavam tão imbricados, que não foi possível separá-las. Diante dessa dificuldade, peço encarecidamente ao leitor que ao ler esse texto, tente separar o trigo do joio. Muito cuidado com as estrelinhas dessa história.

A história que conto foi contada por Benedito Viviani. Na década de 60, em plena Guerra Fria, divide-se Berlim com o muro da vergonha. O astronauta Iuri Gagárin revela ao mundo que a Terra é azul. De um lado o capitalismo, defendido com unhas e dentes pelos Estados Unidos, do outro o comunismo, apoiado pela União Soviética, disputam acirradamente o domínio territorial e espacial do mundo. Uma década depois de Iuri Gagárin ir ao espaço, os americanos chegaram à lua. O que ninguém imaginava nessa época é que, em Cotia, estava sendo elaborado um projeto confidencial para mandar um astronauta a Lua, Marte, e Saturno. Relata o Sr. Viviani, entusiasmado, que no ano de 1962 o foguete estava pronto para ser lançado.

Foto 1
Uma visão geral do foguete e, ao fundo, o cemitério de Cotia; do lado esquerdo da foto, estão o Yano e Viviani dando explicações aos curiosos para obter informações sobre o foguete Sputinik.

Para que o foguete ficasse realmente pronto foram necessários 10 anos de trabalho árduo. Os mentores da façanha de lançar o foguete em Cotia tinham mais de trinta inventos, inclusive o conserto de lâmpada. Harayuky Yano, Osvaldo Manuel de Oliveira (Osvaldão) e Calil Nicolau, foram os cientistas que lideraram a construção da espaçonave orçada no valor de 5 mil cruzeiros, dinheiro da época. Vale ressaltar que o projeto foi financiado pelo Depósito de Materiais de Construções Bandeirantes.

Durante trinta dias o foguete ficou exposto na praça Joaquim Nunes. O foguete atraiu a atenção de moradores da cidade e viajantes que passavam pela Rodovia Raposo Tavares com destino ao sul do país. Todos os visitantes estavam muito ansiosos, segundo um idealizador do projeto. O Sr. Viviani, integrante da equipe Sputinik, relata que a segurança da praça teve de ser redobrada, e os guardas se revezavam nas 24 horas do dia. Dizem que, no período em que o foguete ficou exposto na praça, alguns espiões de origem russa e americana estiveram em Cotia com o objetivo de roubar o projeto Sputinik, que estava muito bem guardado na casa de outro integrante da equipe, o Sr. Aurélio, da farmácia.


Foto 2
As pessoas que estão na foto vieram da Finlândia para conhecerem o projeto Sputinik. Ao fundo da foto localiza-se o terreno onde eram guardadas as máquinas da Prefeitura. Nesse lugar, hoje fica a Padaria Estrela.

1962 foi escolhido como ano de lançamento do foguete Sputinik. Nesse dia, mais de 500 pessoas lotaram a praça Joaquim Nunes. O prefeito Emílio Guerra, preocupado com a multidão que ocupava a praça, providenciou que a guarnição do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e mais ou menos 50 homens da Polícia Militar e da Civil ficassem de plantão para garantir o sucesso do lançamento do foguete. Armindo Miguel, conhecido como Lacerda, e escolhido como piloto, era o único da equipe com experiência em aviação, pois tinha trabalhado no aeroporto de São Paulo e pilotado avião de verdade. Após a escolha do astronauta, iniciaram os treinamentos de capacitação.


Foto 3
A equipe de cientistas faz os primeiros ensaios para testar a potência do foguete na bateria de um carro. No local onde estava o foguete, hoje fica o Rei da Esfiha e a farmácia do Sr. Aurélio.

No dia do lançamento, o Sol brilhava em Cotia. O único erro da equipe foi escolher um estranho para acionar o dispositivo do foguete: o detetive Dimitri Borja Kozarec... Começa a contagem regressiva e, ao final, houve-se um estrondo que forma uma nuvem de 218 metros quadrados. Grande expectativa, logo em seguida muita tristeza: o lançamento fracassou, frustrando a multidão. Segundo Viviani, “o detetive Dimitre era um espião e provavelmente sabotou o projeto”. O detetive foi levado à delegacia da cidade e interrogado com veemência pelo delegado, mas nada revelou; dias depois, desapareceu da cela, misteriosamente.

Após a tentativa frustrada de decolagem do foguete, a multidão ainda permanece na praça lamentando o ocorrido.

O fato não desanimou a equipe que, reunida em um lugar secreto, estava pensando em um outro projeto que ia dar o que falar: o conserto de lâmpadas.

Joãozinho Carpinteiro, construtor do foguete, José Jacaré e Pedrão do Último Gole, eufóricos, apresentam suas idéias para o novo projeto. Acredite se quiser".

Marcos Martinez, do livro Memória e Imagem

Visitantes Online:

Temos 689 visitantes e Nenhum membro online