Por Marcos Martinez

A Capela Nossa Senhora da Penha ficava na rua Lopes de Camargo, que começa na frente da Cantina do Luiz e faz esquina com a travessa Joaquim Horácio Pedroso, bem no centro de Cotia.

Atualmente, o que sobrou da capela fica do lado direito da calçada. Segundo dona Oscarlina Pedroso Victor, ainda hoje existe no terreno, cercado por um grande muro, o alicerce do que seria a nova capela.

A capela foi construída provavelmente no século passado. Era feita de taipa de pilão, com exceção da sacristia, que foi construída depois, com tijolos. O padre Luiz Martine iniciou, em meados da década de 50, uma campanha para construir uma capela maior para os devotos da santa – a antiga era muito pequena para os fiéis. Infelizmente, a campanha naufragou e, conseqüentemente, a capela foi destruída. Ainda segundo dona Oscarlina, a demolição começou antes mesmo do padre Luiz ter dinheiro para construir a capela maior. O dinheiro seria arrecadado com festas.

Na época da demolição da capela, lembra Mário Savioli, que, juntamente com o falecido Vicente Barreto, tentaram salvar o altar da destruição, escondendo-o em um matagal. A iniciativa dos meninos não obteve sucesso, e o altar foi parar na fogueira. A destruição total da capela ocorreu aproximadamente no ano de 1959.

Do lado direito da Capela Nossa Senhora da Penha funcionava o Grupo Escolar de Cotia. Aracy Passos Crem da Silva freqüentou essa escola no período de 1940 a 1943, e terminou ali o antigo primário; ela lembra que, logo após ter terminado o primeiro grau, a escola mudou-se para a rua Senador Feijó, entre a casa Yano e a Caixa Econômica Federal. Após a mudança da escola, o lugar foi ocupado pela Prefeitura Municipal de Cotia.

Dona Oscarlina lembra, também, que as crianças tinham medo de brincar à noite perto da capela, pois era assombrada, assim diziam. Contam que na capela, principalmente à noite, aparecia um padre que entrava e saía pela porta da frente. Ninguém sabia explicar de onde vinha nem para onde ia. Mário Savioli ainda tem na memória uma imagem forte dos morcegos que povoavam a capela. Pedro de Moraes Victor Junior e dona Aracy lembram que as crianças gostavam de brincar próximos à capela. Dona Virgília Dias Vieira, que cuidava da limpeza e da troca das flores, tinha um carinho especial pela capela e era devota fervorosa da santa. Ralhava com as crianças toda vez que a bola batia nas paredes. Dona Oscarlina tem saudade das missas e da procissão que aconteciam em devoção à santa, no dia 2 de Fevereiro.

Na primeira foto podemos observar a fachada da capela e, na segunda foto, temos o privilégio de conhecer o seu interior. Do lado esquerdo ficava a imagem de São Benedito e na parte central a imagem de Nossa Senhora da Penha, toda esculpida em pedra. Essa imagem foi depois transferida para a Igreja Matriz, de onde, infelizmente, foi roubada. Do lado direito ficava a imagem de Nossa Senhora do Carmo. Debaixo do altar central ficava uma imagem de Nossa Senhora da Aparecida.

Com certeza, vocês devem estar se perguntando quem são as crianças que estão na foto. Da esquerda para a direita, são: Pedro de Moraes Victor Junior, Luiz de Moraes Victor e Maria Lúcia Moraes Victor Muraro. O fotógrafo foi Joaquim Matias Pedroso, conhecido por Quinzinho. A foto data de 10 de abril de 1955.

(Memória e Imagem)


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