Por Fau Barbosa

Estive presente nas ruas de Cotia cobrindo as duas manifestações que ocorreram essa semana, a primeira na terça-feira(18) e a segunda nessa sexta-feira(21).

Em ambas, pude observar um ambiente pacífico, sem nenhuma ocorrência de tumulto nem de vandalismo. Na primeira manifestação, inclusive, quando o grupo de 3 mil pessoas tomou a Raposo, algumas pessoas - cerca de "três" - chegaram a subir no teto de um ônibus (fato que eu registrei) - e imediatamente foram vaiadas pela multidão com gritos de "sem vandalismo" e ao verem que estavam na contramão da coisa, desceram e voltaram pra manifestação.

Isso mostra claramente o lado pacífico do movimento e a consciência de quem estava participando desse momento importante de cidadania, com jovens, adultos, pais e filhos caminhando tranquilos pelas ruas.

Nessa sexta-feira, entretanto, após deixar a manifestação no final da noite e já em casa, recebi vários telefonemas e SMS informando que um princípio de tumulto acontecia na altura do km 26,5, na entrada da avenida José Giorgi (SP2).

As pessoas diziam que um grupo que havia seguido pela rodovia, após a dispersão da maioria, estaria causando tumulto no posto de gasolina e que a tropa de choque da polícia havia sido chamada e estava inibindo os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

Imediatamente entrei em contato com o comandante da PM local, que me confirmou o ocorrido, e me informou que tal fato acontecia após denúncia recebida no 190 de que pessoas estariam efetuando roubos no local. Nesse momento a bateria do celular dele acabou e fiquei sem mais notícias.

O que me causou espanto foi publicar a notícia e começar a receber também informações de quem estava ali na hora. Pessoas de Bem dizendo que a tropa de choque já chegou atirando as bombas com "agressividade desnecessária e truculência para cima de pessoas que respeitavam totalmente a cidade" (relato de um morador que estava no local, que indignado me contou que junto com outros moradores foi chamado de vagabundo). "Estou ainda indignado, somos trabalhadores, pai de família e jamais esperava ser tratado desta maneira em um cenário de guerra criado pela tropa de choque!"

Esse mesmo morador conta que a própria Guarda Civil e a PM de Cotia foram os que protegeram as pessoas que estavam ali, muitas delas inclusive nem da passeata tinham participado, e que se não fossem eles a defender a nossa população, algo pior poderia ter acontecido.

A pergunta é: o que a tropa de choque estava fazendo em Cotia, se as duas manifestações foram pacíficas? Nossa polícia militar e guarda civil são bastante preparadas para lidar com situações que saiam do controle e sem usar de tamanha violência com pessoas inocentes. Admiro os nossos policiais e guardas civis que fazem seu trabalho sem esquecer o lado humano da sua profissão e tratam os moradores da nossa cidade com respeito e cordialidade. Uma polícia de fora, que não está acostumada com a nossa cidade e nossa realidade, e a trata como "mais uma" é desnecessária e pode acabar se tornando violenta.

Quero deixar registrado que entendo a pressão que os policiais estão vivendo nas grandes cidades, mas também quero registrar que repudio qualquer tipo de violência, como aconteceu na noite de ontem. Não são as poucas pessoas que se aproveitaram e se infiltraram no grupo para causar tumulto que vão tirar o brilho do povo cotiano exercendo a sua cidadania!

Parabéns aos nossos guardas civis e aos nossos policiais militares que protegeram os cidadãos de Bem que estavam ali. E parabéns aos cidadãos de Cotia que seguiram em paz, do começo ao fim das duas manifestações.

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