Por Fau Barbosa

Mais uma manifestação aconteceu nessa sexta-feira(28), pelas ruas de Cotia.

Com 10% dos manifestantes das outras duas, ela teria sido pacífica do começo ao fim, não fosse um grupo pequeno, que já com a Praça esvaziada, partiu prá provocação e chegou às vias de fato agredindo os policiais e provocando o confronto.

Sexta-feira...

A manifestação dessa sexta-feira(28), marcada para sair às 17 horas da Prefeitura de Cotia, foi a mais vazia das três que acompanhei nos últimos dias.

Cheguei na frente da Prefeitura por volta das 16:30hs. Estranhei o público pequeno (no máximo 50 pessoas), já que na semana passada, nesse horário já havia umas 150 pessoas. Ficamos ali aguardando e ouvindo o "piquete" no caminhão de som, que realizava uma "tribuna livre" para quem quisesse reclamar.

Entenda as reivindicações:

No paço municipal, a PM estava a postos, e o comandante conversava com os organizadores definindo o caminho a seguir.

O tempo foi passando e por volta das 18 horas (quando chegaram instrumentos de bateria para animar os manifestantes), cerca de 250 pessoas seguiram em direção ao centro de Cotia.

Estava tudo tão sossegado que eu e o fotógrafo Moisés Ferreira paramos num trailer na avenida pra comer um cachorro quente, antes de alcançar a passeata, que a essa altura já chegava ao centro de Cotia.

Os manifestantes seguiram então pelo trajeto combinado, até a Câmara Municipal, onde pararam para dar uma enorme vaia. Depois, seguiram rua Senador Feijó abaixo, com a intenção de acessar a Rodovia Raposo Tavares, na altura do km 34,5.

Foram porém surpreendidos por um cordão de isolamento de policiais militares, e outro da Guarda Civil, que proibiam o acesso à Raposo.

Os manifestantes, indignados, diziam que não era o que foi combinado em reunião na Prefeitura, e que tinham sido traídos. Argumentaram com os policiais por meio do carro de som, que tinham o direito de ir e vir e que não podiam ser barrados. Os policiais permaneceram imóveis. Tentativas de convencê-los a deixá-los passar foram em vão.

Diante disso, passados mais de 30 minutos e depois de gritar palavras de ordem, a manifestação fez meia volta e voltou para o centro de Cotia, passando pelo pontilhão ao lado do camelódromo e descendo sentido Raposo.

Pelo caminho algumas pessoas começaram a soltar bombas caseiras e os organizadores pediam que não o fizessem, que "bomba era coisa de polícia".

Lá um novo cordão de isolamento os esperava e novamente não houve acordo para acessar a rodovia. Indignados, os manifestantes, cerca de uns 300 a essa altura, ficaram espalhados pela praça enquanto alguns que estavam mais a frente foram discutir com a polícia, sobre o acordo feito com a prefeitura, de fazer manifestação pacífica, porém com direito a acessar a Rodovia, fechando apenas o lado sentido São Paulo.

Em vão. Os policiais não se mexiam. Com escudos, eles ali ficaram, impassíveis, aguardando os manifestantes se dissiparem. O que, claro, não aconteceu.

Detalhe: em um determinado momento, um dos manifestantes desceu correndo em direção aos policiais para informar que durante o trajeto algumas pessoas chutaram as portas das lojas e que essas pessoas não faziam parte da manifestação.

Um grupo de pessoas, que estava mais na frente, e consequentemente próximos dos policiais, ficou argumentando com eles, tentando furar o bloqueio e ir pra Rodovia.

Algumas dessas pessoas hostilizaram os policiais, chamando-os de fdps, de "bonecos do Estado" e provocando a polícia.

Depois de um bom tempo, num determinado momento e com a praça já esvaziada, alguns grupinhos espalhados começaram detonar bombas caseiras. Nem mesmo assim os cerca de 50 policiais que ali estavam reagiram. Apenas observavam atentos a cada movimento.

Foi quando depois de muita provocação por parte de meia dúzia de pessoas, do nada, um policial foi atingido no rosto por uma pedra. Garrafas também foram atiradas contra os policiais. Nesse momento se iniciou o confronto entre a Tropa de Choque e os baderneiros.

A correria foi geral pelas ruas da região central. Bombas de gás lacrimogêneo foram detonadas e o centro de Cotia virou uma enorme praça de guerra.

Muita fumaça, não se via nada, só várias viaturas da PM e da Guarda Civil surgindo do nada. Para sair da zona de confronto e fugir do "ardido" do gás nos olhos e nariz (e o bichinho arde viu!), corri até um ponto mais afastado da fumaça e fiquei observando os policiais procurando os baderneiros.

Dois jovens foram presos pela Policia por desacato, agressão e resistência. Eles foram levados para a Delegacia de Cotia. O policial ferido prestou depoimento ao lado do oficial e foi fazer IML.

A Policia Militar contou com efetivo de 20 viaturas, quatro bases móveis, dez motos e 100 homens.

Opinião:

A manifestação já havia sido feita. Não tinha por que ficar se alongando ali, já que estava claro que não seria permitida a ida à Raposo. Por que insistir? Por que partir pra briga? Não é agindo de forma agressiva que se vai conseguir resultados. Lembrando que nas duas primeiras manifestações, as reivindicações feitas (bilhete escolar e integração) foram atendidas. Não se pode perder o rumo, pois aí se perde a razão. Além do que é consenso de muitas pessoas que manifestações seguidas tendem a esvaziar.

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