Por Fau Barbosa

Sempre pensando em agregar informação aos nossos leitores e comemorando uma nova e expressiva marca no número de acessos, o Portal Viva traz a partir de hoje, uma nova coluna para falar sobre a saúde da mulher.

Nosso novo colunista é o Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP.

Thomas também é especialista em Ginecologia, Obstetrícia, Videolaparoscopia e Videohisteroscopia, além de Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e médico ginecologista na Granmedic.

Seja bem-vindo!

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TERAPIA HORMONAL – PARAR OU CONTINUAR?


Por Thomas Moscovitz

A menopausa chega, a produção de hormônios já não é mais a mesma e a dúvida de muitas mulheres é: Parar ou continuar com a terapia hormonal? O papel da reposição hormonal é exatamente repor os hormônios que não são mais produzidos pelo organismo da mulher. O tratamento visa, sobretudo, minimizar ou prevenir as alterações decorrentes do hipoestrogenismo – queda da produção do hormônio feminino estrogênio – na menopausa.

Os hormônios podem ser repostos em forma de comprimidos, cremes, adesivos cutâneos e injeções. Neste período, os sintomas variam entre distúrbios do sono, secura vaginal, perda da elasticidade da pele, sensações de calores e suores intensos, entre outros, e o tratamento com estrógeno ou estrógeno mais progesterona alivia estes desconfortáveis sintomas. No entanto, o tratamento com hormônios apresenta alguns efeitos colaterais que fazem as mulheres, muitas vezes, suspender a terapia. Alguns deles são: o sangramento vaginal, que costuma ser menos intenso do que a menstruação normal, náuseas, oscilações no humor, entre outros.

A Comissão Especial de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) recomenda evitar a terapia hormonal na pós-menopausa porque eleva o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral, demência e câncer de mama. Os problemas foram evidenciados durante um estudo realizado pela Women’s Health Initiative. A pesquisa foi encerrada três anos antes em virtude de um aumento de casos de câncer de mama, infartos do miocárdio, derrames cerebrais e embolias pulmonares nas mulheres submetidas à reposição. Em contrapartida, este mesmo estudo mostrou que a reposição reduziu o número de fraturas ósseas provocadas por osteoporose e, curiosamente, a incidência de câncer do intestino. Posteriormente, novos testes foram feitos em 310 mulheres entre 56 e 73 anos e os resultados apontaram alguns benefícios bem definidos. Foi sugerido, mas não comprovado, que os hormônios protegem da pressão alta.

Ainda, o estudo incluiu mulheres com peso normal e poucos fatores de risco, que são aquelas que mais se beneficiariam com a terapia. Outro fator positivo é que as mulheres teriam um melhor desempenho no trabalho. Em algumas delas, os sintomas graves da menopausa retornaram quando elas interromperam a terapia hormonal. Uma em cada quatro mulheres que suspenderam o tratamento hormonal após o estudo, retomaram porque apresentavam sintomas graves que afetavam a sua qualidade de vida. Portanto, é correto afirmar que a suspensão da terapia favorece o reaparecimento dos sintomas da menopausa.

Então, conclui-se que a decisão de indicar ou contraindicar reposição hormonal é complexa. Deve levar em conta as expectativas da mulher e ser tomada por um médico bem informado, para ajudá-la a escolher o melhor caminho.

Atenção: em mulheres com fatores de risco como história familiar, diabetes, fumo, hipertensão e vida sedentária, as doses devem ser diminuídas gradualmente e o tratamento obrigatoriamente descontinuado. Quando necessário suspender a reposição, o melhor a fazer é através de uma redução gradativa das doses e com acompanhamento médico, para evitar desequilíbrios hormonais que provoquem efeitos indesejáveis.

Interromper o tratamento abruptamente por conta própria certamente não é a medida mais sensata. Consulte o seu médico.

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