Por Thomas Moscovitz

Tingir o cabelo, usar esmalte, maquiagem, cremes para celulite…afinal, o que pode e o que não pode durante a gestação?

A gravidez é uma caixinha de surpresas no que tange à beleza da mulher. Em algumas, pele e cabelo dão um verdadeiro show de saúde, já em outras, os hormônios ficam à flor da pele e causam algumas reações negativas. Se duas ou mais grávidas conversarem, logo se percebe o conflito.

Enquanto uma reclama da sensibilidade da pele, que está seca e propensa a alergias, a outra reclama da oleosidade e do surgimento da acne. De fato, a acne piora no 1º trimestre da gravidez por causa do aumento do hormônio progesterona. Você percebe a diferença a partir do quarto mês e talvez até possa comemorar o desaparecimento.

Neste período, a microcirculação aumenta e as substâncias são absorvidas com mais facilidade. Portanto, é de suma importância que a gestante substitua alguns cosméticos por outros mais suaves ou específicos.

De acordo com a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, três substâncias são vetadas da lista de cosméticos apropriados para as futuras mamães: cânfora (que pode ser tóxica e levar ao aborto), ureia acima de 3% (pode afetar a formação e o crescimento do feto) e chumbo (pode interferir no metabolismo, aumentar a pressão arterial e até intoxicar a gestante); este último, está presente em diversos cremes para pernas, pés, cremes hidratantes e colorações.

Qualquer produto cosmético indicado para gestantes deve conter uma formulação segura, com fragrância suave, isenção de corantes, hipoalergênico e com privação total de derivados petroquímicos como vaselina e óleo mineral. Busque fórmulas que contenham óleos 100% vegetais – como semente de uva, manteiga de karité, germe de trigo ou amêndoa – que suavizam a pele e mantêm a camada protetora da derme intacta.

Nenhum produto garante total proteção contra estrias, afinal, elas estão relacionadas ao aumento de peso e à alteração hormonal comum da gestação. O ideal é prevenir! Adote um creme para massagem diária pós-banho (também de matéria-prima vegetal) e aplique em movimentos circulares. O momento pode ser aproveitado para estabelecer contato com o bebê. Tenha preferência por produtos que estão há mais tempo no mercado.

Para colorir os cabelos utilize os tonalizadores com fitopigmentos naturais. Tinturas, alisantes e relaxantes não podem ser utilizados de forma alguma, já que substâncias como amônia, formol e guanidina podem ser absorvidas e levadas à circulação sanguínea e, assim, serem tóxicas ao feto. Evitar tingir os cabelos antes das 14ª ou 16ª semanas de gestação, quando o bebê está se formando.

É essencial a aplicação diária de filtro solar com uma formulação que proteja da radiação UVA e UVB, com FPS-14, porém com o mínimo percentual de produtos gordurosos. Limpe e tonifique a pele diariamente. Evite os produtos que contenham ácidos de efeito peeling – como o retinoico (um tipo de vitamina A muito usado em cremes antirrugas e voltado a melhorar o aspecto da pele) ou tricloroacético – e conservantes como o parabenos (que podem ser encontrados em shampoos, hidratantes, cremes de barbear, lubrificantes etc. Pesquisas observaram que eles podem ser tóxicos para as células humanas).

Os esmaltes estão liberados. Na hora de retirar, substitua a acetona por removedor hipoalergênico. Não há restrições para maquiagens, mas vale ressaltar que os cosméticos não são testados em gestantes por não ser possível controlar os efeitos adversos.

Atenção: faça uma prova de toque, inclusive com os produtos permitidos. Aplique um pouco do produto na dobra interna do cotovelo, entre braço e antebraço, e aguarde 24 horas para observar a presença de algum tipo de desconforto.

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

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