Por Thomas Moscovitz

Tem gente que acha que o excesso de peso na gravidez tem a ver com a boa saúde, tanto da mãe quanto do bebê. Puro engano.

O ideal é que a gestante engorde cerca de um quilo por mês, respeitando o aumento médio de nove a doze quilos durante a gestação. Caso a futura mamãe sinta muito enjoo até o quarto mês, é comum que perca alguns quilinhos. Após esta época, o apetite deve voltar ao normal e a saúde ficar em dia. A falta de hábitos alimentares e não respeitar os horários da alimentação são as principais causas do ganho indevido de peso. No entanto, alguns motivos podem influenciar, como: diabetes gestacional, doenças renais, entre outros. A oscilação hormonal também leva a perda ou ganho de peso descontrolado, por isso, a importância de acompanhamento médico nesta época. O sobrepeso pode provocar complicações graves. A pressão arterial tende a subir e, com isso, o bebê nascer prematuro. Ainda, o recém-nascido pode chegar ao mundo com hipoglicemia. No físico, o resultado do excesso de peso potencializa alguns desconfortos como dores nas articulações – dores na coluna são frequentes - e falta de ar na realização das atividades do cotidiano.

Além disso, como podem ter filhos com peso superior a 4 quilos, essas mães estão sujeitas a dificuldades perinatais e correm risco de desenvolver outras doenças no futuro. Crianças assim geradas correm risco maior de tornarem-se obesas mais tarde.De acordo com o RDI (Recommended Dietary Intakes), tabela com as recomendações universais sobre alimentação, gestantes a partir do terceiro mês de gravidez devem ingerirapenas 300 calorias a mais do que o normal, ou seja, 2.800 calorias por dia.

Vale lembrar que mulheres bem magras, também devem ficar atentas. Estar abaixo do peso significa que seu bebê também pode estar, e, consequentemente, seu desenvolvimento na vida intrauterina será comprometido.Uma boa dica para manter a forma é ingerir nutrientes como o ferro, as vitaminas e o cálcio. Da mesma forma é importante consumir alimentos que facilitam sua absorção, por exemplo, a vitamina C, presente nas frutas cítricas. A alimentação de 3 em 3 horas é imprescindível.

No mundo, aproximadamente 45% das mulheres obesas ganhou peso após a gravidez. No Reino Unido, por exemplo, estatísticas recentes mostram que metade das mulheres que morreram por causa de doenças na gravidez ou no parto eram obesas. Segundo o relatório, o risco é entre quatro e cinco vezes maior, tanto para a mãe quanto para o bebê. É fundamental que as gestantes não abram mão do pré-natal e, se liberado pelo médico, pratiquem exercício físico.

Ressalto que a mulher nessa fase não come por dois, o bebê não vai nascer com características indesejáveis porque a mãe deixou de satisfazer algum desejo, e beber leite não pode ajudar no aleitamento, mas serve como fonte de hidratação. O que auxilia na amamentação é a ingestão de líquidos; o leite entra apenas como uma fonte a mais. Uma dica é emagrecer antes mesmo de engravidar e tirar da cabeça a ideia de ficar grávida e depois perder peso de uma vez só.

Respeitando tudo isso, o corpo e o bebê agradecem.

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

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