Por Thomas Moscovitz

Se por mais de duas vezes você sofreu abortos espontâneos consecutivos antes mesmo da 20ª semana de gestação é porque deverá estar sofrendo de aborto habitual ou recorrente.

Alerto que existe diferença entre um abortamento espontâneo isolado – que acontece uma única vez – e os abortamentos repetidos. O primeiro não é raro e um em cada seis casais podem sofrer esta perda gestacional.

Já este abortamento, que é o tema deste artigo, ocorre entre 0,34% e 1% das mulheres que engravidam, sendo que muitas – eu diria que mais que a metade – são vítimas de fatores genéticos como alterações nos cromossomos do casal, seja na forma ou no número.

Às vezes, depois de um atraso menstrual, algumas mulheres perdem sangue e acreditam estar menstruando quando que, na verdade, estão eliminando um embrião recém-formado.
Por isso, é importante que você fique sempre atenta às datas da menstruação e às mudanças no corpo.

São diversos os fatores que influenciam nesta interrupção súbita da gravidez, sejam eles ambientais - consumo exacerbado de drogas lícitas, como cigarro e álcool, e ilícitas, ou
acentuado estresse psicológico – até enfermidades pré-existentes.

Algumas mulheres podem exibir, desde o nascimento, má-formação uterina - este também tende a ser um fator responsável pelos abortos. Ou podem apresentar problemas na fase lútea (fase da ovulação) causados pela deficiência na produção de progesterona.

Miomas uterinos também possibilitam abortos repetidos, pois podem deformar o útero.
Disfunções glandulares também podem ser as vilãs do problema, afinal, algumas delas interferem na evolução da gravidez como a Tireoide e Hipófise.

Mulheres que apresentam doenças crônicas têm a possibilidade de sofrer com a repetição de
abortos. Exemplos claros são o Lupus e o Diabetes. Nestes casos, o aborto espontâneo carrega a característica de ser um mecanismo de autoproteção do organismo.

Legitimando o que afirmei no início do texto, muitos pesquisadores associaram a mulher fumante ao aborto natural. A perda gestacional é duas vezes maior em mulheres fumantes
comparadas as não fumantes. O fumo faz interferências significativas no transporte de
oxigênio, na diminuição do fluxo placentário e, consequentemente, no retardo do crescimento fetal.  

Segundo dados apresentados pela Sociedade Europeia de Reprodução Humana, de 40 a 70% destas mulheres que sofrem do aborto habitual por motivos desconhecidos acabam
conseguindo engravidar e seguir com a gestação, mesmo sem tratamento específico.

Aos casais, muita atenção.

Se vocês estiverem passando por este tipo de problema, o ideal é que procurem juntos um
profissional. É habitual que os homens acreditem que o problema sempre está nas mulheres, o que pode não ser, principalmente tratando-se dos fatores genéticos.

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

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