Por Thomas Moscovitz

Uma leitora entrou em contato e pediu que abordássemos um tema bastante delicado.

Apesar de ser médico e conhecer a fundo os problemas de minhas pacientes, principalmente relacionados à ginecologia, fui pesquisar e encontrei a seguinte fanpage: “Vítima de anticoncepcionais. Unidas em favor da vida”.

A página do Facebook é formada por vítimas das pílulas, algumas enfrentando doenças gravíssimas como trombose, embolia pulmonar, infarto, entre outros. É importante ressaltar que com esta fanpage estas mulheres não querem dar indicações sobre medicamentos ou métodos contraceptivos, mas alertar sobre a importância do medicamento ser prescrito por um médico, após o profissional ter feito uma avaliação médica em sua paciente, para verificar a presença de eventuais contraindicações.

Existem as contraindicações absolutas, em que as mulheres não podem tomar a pílula de forma alguma, e as relativas, em que podem tomar, desde que com um acompanhamento médico para calcular possíveis efeitos colaterais.

Não há como prever a compatibilidade ou a eficiência. O que normalmente acontece é a escolha de um determinado medicamento para ser observada a adaptação da paciente.

Acredito que o anticoncepcional tenha um propósito e pode ser necessário no que ele propõe – pode ser indicado, além da contracepção, para quem tem síndrome do ovário policístico ou regulagem do ciclo menstrual - no entanto, algumas mulheres utilizam-no com outras finalidades e sem acompanhamento médico, como para melhorar o aspecto da pele.  

Diversas informações e relatos aparecem constantemente nas redes sociais sobre a ocorrência de trombose venosa profunda em mulheres, devido ao uso de pílula anticoncepcional.

A administração de anticoncepcionais com hormônios combinados (estrogênio e progesterona) pode ser um fator a mais, mas não de forma isolada. Informo que nas bulas dos anticoncepcionais há advertências – entre outras relevantes informações - em relação ao uso da pílula, a que, como dissemos no início do texto, atribuímos o nome de contraindicações.
E uma delas é o risco de se ter a trombose. Caso a mulher tenha histórico da doença na família, aconselho procurar um hematologista para analisar o sistema sanguíneo e verificar o risco genético que este medicamente pode vir a causar. Fique atenta.

Cirurgia bariátrica e Doenças do Intestino:
Mulheres com outras condições que prejudicam a absorção dos hormônios através do trato gastrointestinal também podem sofrer com a perda da eficácia da pílula; esteja atenta a algumas das situações que podem afetar sua pílula: pacientes que fizeram redução do estômago por obesidade (cirurgia bariátrica), doenças inflamatórias intestinais (ex.: doença de Chron, doença celíaca e etc), entre outras.

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

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