Por Thomas Moscovitz

Uma triste realidade que ainda assola os hospitais públicos e particulares é a questão da violência obstétrica, que pode começar desde o primeiro atendimento à gestante, na recepção
da unidade de saúde, até algumas imposições médicas no momento do parto.

Nos últimos dois anos, o  Ministério Público Federal registrou 53 casos de violência obstétrica no país, sendo  três  no Amazonas. Apesar de ser um tipo de violência ainda pouco denunciada – até mesmo por conta da falta de informação - há casos que abalam e deixam mulheres – e até famílias – traumatizadas pelo resto da vida, afinal, as vítimas sofrem agressões físicas e emocionais pelos profissionais que deveriam proporcionar conforto e confiança.

Uma ação bem comum é quando a enfermeira diz que a mulher não pode gritar na hora do parto; isso já é considerado uma violência obstétrica. Outro ato violento é quando o obstetra faz uma episiotomia (corte entre o ânus e a vagina) indiscriminada em sua paciente apenas para facilitar a saída do bebê. É de suma importância todas as pessoas saberem que a prática
considerada legítima pela Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, desde que seja um
procedimento realmente necessário, criterioso e dotado de todos os cuidados.

Os profissionais que se enquadram nas denúncias que envolvem violência obstétrica fazem isso de forma costumeira, sem o consentimento das pacientes e sem informar o acompanhante da vítima.

Outros atos corriqueiros neste crime envolvem infusão intravenosa para acelerar as contrações, pressão sobre a barriga da paciente, lavagens intestinais frequentes, retirada dos
pelos pubianos, impedir a presença de um acompanhante da escolha da gestante na sala de
parto e proibir que este acompanhante faça massagens ou carinho para tranquilizar a mulher,
não ter cuidado e delicadeza com o bebê durante o parto.  

Não deixar que a mãe tenha seu filho nos braços logo após o parto, a menos que haja restrições médicas com isso, também é considerado violência obstétrica.

Os números são alarmantes; de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu
Abramo, uma a cada quatro mulheres sofrem de violência obstétrica. No entanto, muitos
médicos acreditam que o número seja muito maior visto que a maioria das mães não sabem o
que significa a violência obstétrica.

A Organização Mundial de Saúde publicou em seis idiomas uma declaração contra a violência
obstétrica.

Como dito no início deste texto, são muitas as consequências da violência obstétrica e elas
podem variar entre uma depressão até problemas com a própria sexualidade da vítima.

Se você sofreu este ou qualquer outro tipo de violência médica, denuncie:
http://cidadao.mpf.mp.br/

Dr. Thomas Moscovitz – Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia. Assistente Voluntário do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médico Ginecologista na Granmedic.

Visitantes Online:

Temos 722 visitantes e Nenhum membro online