Por Regina Steurer

“As pessoas não constroem conhecimento; elas, na verdade, reconstroem a partir do que já existe e já se sabe. O que o aprender significa? Não é só reconstruir conhecimento, é também forjar o sujeito capaz de ser o dono do seu conhecimento, ser autônomo em seu conhecimento”. Pedro Demo

Caros amigos,

Durante 15 anos o Projeto Âncora trabalhou com crianças a partir de dois anos e meio em creche e educação infantil, com atendimento em horário integral. A partir dos seis anos, as crianças passavam a frequentar a entidade apenas no contra turno escolar em atividades educativas nas mais diversas áreas ligadas à cultura, arte, esporte e formação profissional.

De um lado, sempre foi possível ver o quanto as crianças e jovens são como uma esponja a absorver tudo que é oferecido. Eles abraçam as oportunidades, participam e facilmente se engajam em propostas que fazem sentido e que podem construir melhoria para sua vida e dos demais à sua volta.

Mas, de outro, sempre chamou atenção e ficou bastante claro, desde os primeiros anos, que o caminho por nós desenhado estava na contramão do trilhado pela escola formal – tanto a pública como a particular, entendidas por nós como escolas desinteressantes, que não “forjam o sujeito capaz de ser o dono do seu conhecimento, ser autônomo em seu conhecimento”.

Por tudo isso, expandir o serviço social já oferecido para um serviço integral (inteiro, completo, comprometido com o ser humano e não somente com a carga horária) passou a ser um objetivo do Âncora. E, para atingir este objetivo, teríamos que nos organizar para viabilizar e oferecer, também, a escola dita “formal” para os jovens.

Levamos muitos anos para amadurecer que escola seria essa que, além de construir uma nova humanidade feliz e sábia, também pudesse ser exemplo a seguir por outras instituições. Hoje fazemos parte de uma rede de entidades sociais e escolas que estão abrindo caminho para outro modelo de aprendizagem. Um filme recém-lançado no cinema trata desse assunto e tem o Projeto Âncora como uma das entidades que o inspiraram: “Quando sinto que já sei” que pode ser visto na íntegra no Youtube.

Neste mês em que comemoramos 19 anos, o filme e a constatação do quanto nossas crianças estão conseguindo conquistar autonomia, sabedoria e protagonismo, são os melhores presentes que poderíamos sonhar.

Abraço sempre grato e fraterno.

Regina Machado Steurer
Conselheira Projeto Âncora

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