Por Rogerio Ruschel (*)

Pode me patrulhar, pode me criticar, mas esta edição especial do Charlie Hebdo com charge ofensiva na capa é no minimo uma insensatez.

 

Sou jornalista e 100% a favor da livre manifestação. Sou ser humano e 100% a favor do respeito. Porque quero me manifestar e quero ser respeitado.

O Charlie Hebdo é um jornal de nicho e seu público é de 60.000 pessoas há anos, pessoas que (Freud deve explicar) gostam de rir da humilhação dos outros, porque no ânus dos outros é refresco.

Fazer uma edição com 3 ou 5 milhões de exemplares do "resistente" jornal seria apenas uma demonstração de força empresarial em um pais do Ocidente que se julga culto e superior em grau civilizatório. Mas na verdade é uma demonstração de como funciona o capitalismo em sua forma mais selvagem, neurótica, deseducativa e catársica, e de como as pessoas são burras, por ficarem em filas de madrugada e comprarem exemplares de espertinhos por até 1.000 Reais.

Mas ir além do ganho monetário e colocar na capa mais um desrespeito ao líder de uma religião, mais do que sacanagem, é uma provocação premeditada. Uma estupidez organizada por quem passou os últimos dias pregando o diálogo. O diálogo é bom, desde que você sifu e eu possa *$#@ na sua cabeça! O nome disso é soberba, uma pretensão de superioridade de uma cultura sobre outras.

E mais: os chefes de estado que passearam em Paris de braços dados com o Hollande para dizer que "Je Suis Charlie" para câmeras de TV ávidas por mais sangue, certamente agora estão arrependidos porque foram traidos pelo presidente frances.

Aliás, o presidente François Hollande é o único que saiu ganhando com tudo isso - porque passou uma semana posando de herói em vez de levar porrada pela gestão que está fazendo - além dos editores que estão imprimindo 3 ou 5 milhões do tal jornal. E se você ainda quer me patrulhar, veja que construtiva e agradável a capa de uma edição recente do jornal que estamos publicando aqui- capa que intelectuais de meia pataca chamam de Arte.

Pode me patrulhar, mas o nome disso, meu prezado leitor, é soberba. E desconfio que muitos morrerão por causa desta soberba do Ocidente.

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, granjeiro e acha que o respeito é bom e não engorda.

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