O sistema criado pelo Ministério da Educação na internet para estudantes se candidatarem a uma vaga em universidades federais usando a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estreou ontem com congestionamentos, dificuldades de acesso e mensagens de erro.

Alunos de várias partes do País afirmaram não ter conseguido completar sua inscrição mesmo após mais de 14 horas de tentativa. Por volta das 22h30, havia um comunicado no site informando que o sistema estava em manutenção e voltaria hoje, às 6 horas. A preocupação dos estudantes cresce pelo fato de que o momento da inscrição é um dos critérios de desempate na disputa por vaga.

A avaliação do Ministério da Educação é de que os problemas enfrentados pelos candidatos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foram pontuais e não chegaram a travar o site, apesar das dificuldades relatadas. O ministério diz que, por enquanto, não há nenhuma previsão de ampliar a capacidade do sistema, previsto para processar 200 mil acessos de uma vez, ou de prorrogar o prazo de inscrição da primeira etapa, que vai até o dia 3 de fevereiro.

Até as 16 horas, o número de estudantes cadastrados havia chegado a 42 mil - o Sisu estava processando 7 mil inscrições por hora. Estão em jogo 47,9 mil vagas em 51 universidades federais e institutos de tecnologia. É a primeira experiência do gênero feita no País.

Cerca de 2,6 milhões de estudantes fizeram o Enem neste ano. Nem todos, no entanto, devem disputar uma vaga em universidades federais - muitos pelo baixo desempenho e outros pelo interesse em se cadastrar no Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudo em instituições particulares também por meio do Enem.

A lentidão deve continuar. Isso porque, mesmo tendo conseguido se inscrever ontem, os candidatos terão de conferir nos dias seguintes as notas de corte - caso sejam muito altas, eles poderão mudar de curso. Ainda assim, o ministério espera que, passada a ansiedade inicial, o sistema se regularize.

FRUSTRAÇÃO

Luiz Guilherme Winckler sonha em fazer Engenharia Mecânica em uma instituição federal, mas após 14 horas de tentativas frustradas de se cadastrar, começava a duvidar se conseguiria. "Não tenho palavras para descrever o que sinto. Será que meu sonho de entrar numa universidade federal acabou?"

A candidata Michele Fukuda, que deseja uma vaga em Enfermagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), passou mais de oito horas ontem tentando fazer sua inscrição e não conseguiu. "Não sei como vai ser. Está tudo bem confuso este ano", disse. "Também prestei em uma faculdade particular porque não quero fazer mais um ano de cursinho, mas o que espero mesmo é estudar numa federal", conta.

Candidata a uma vaga em Farmácia, Miriam Miyoshi acordou cedo para tentar garantir logo sua inscrição, mas se decepcionou. "Tentei direto das 7 horas até o meio-dia. Consegui fazer o cadastro da minha senha, mas não me inscrever nas instituições", conta. "Vou tentar de novo à noite, mas estou preocupada", desabafa.

Ana Carolina Mazarini quer concorrer a uma vaga em Ciências Sociais, mas, depois de ficar quase seis horas tentando sem sucesso se inscrever, estava começando a desanimar. "Como vi que passei na Unesp estou mais tranquila", disse. "Não esperava que fosse ser difícil assim. Achei que iriam se organizar melhor."

Do Estadão

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