Até o momento quatro pessoas foram presas e 23 armas foram recuperadas; segundo a perícia, apenas duas delas estavam com a numeração intacta, e as demais tinham sinais recentes de raspagem da numeração

Desde a última quinta-feira(4), a reportagem do Portal Viva Cotia está acompanhando um caso que intrigou a Polícia Civil da cidade.

Na última semana, ao atender solicitação judicial para nova perícia em duas armas de fogo apreendidas que encontravam-se custodiadas em um cofre da Delegacia de Cotia, um policial civil constatou a falta de uma das armas, do tipo revólver. Ele então decidiu inventariar as armas que encontravam-se custodiadas, quando verificou que faltavam outras armas relacionadas a procedimentos judiciais.

Ao término do inventário constatou-se a subtração de um total de 79 armas. O acesso à esta sala é restrito, e até então o policial não havia notado qualquer irregularidade. Assim que deu pela falta das armas, comunicou imediatamente ao Delegado Titular da unidade, Dr. Fábio Pescarmona, que diante da informação recebida, iniciou as investigações.

A autoria do crime
Na quinta-feira(4), os funcionários da delegacia foram chamados, e durante a conversa um deles demonstrou certo nervosismo, alegando não ter nenhuma responsabilidade nos fatos. Sua justificativa causou certa estranheza e depois, em uma conversa mais reservada, ele acabou confessando a prática do crime. As armas teriam sido retiradas da delegacia em caixas de pizza e outras vezes dentro de uma CPU de computador. Segundo a Polícia, como ele fazia manutenção em alguns computadores, ninguém estranhou.

Às 17h, o auxiliar administrativo H.J.O.F., de 22 anos, foi preso e autuado por Furto qualificado (art.155 §4º) e porte ilegal de arma de uso restrito (art.16). Ele era funcionário da Frente de Trabalho, e prestava serviço há quase 2 anos na delegacia, como "ad-hoc". Seu contrato venceria em julho próximo.

Segundo a polícia, ele era um bom funcionário e bastante prestativo. Porém, há algum tempo os policiais vinham desconfiando da sua mudança de comportamento, já que ele passara a ostentar posses e dinheiro que não condiziam com o seu salário. Ao ser questionado, ele se limitou apenas a dizer que tudo era fruto de seu trabalho como motorista de aplicativos.

As investigações e a segunda prisão
O setor de investigações chegou aos proprietários de uma barbearia no Jd. Belizário. Ao serem questionados os dois afirmaram que o auxiliar era cliente do estabelecimento e que constantemente aparecia ali dizendo ser policial, portando arma de fogo e oferecendo a venda de outras armas.

Por volta das 17h40, as equipes de policiais civis do DP de Cotia, coordenadas pelo delegado de polícia assistente, Dr. Espedito Alves da Silva Junior, se deslocaram até a casa da avó materna do investigado, também no Jd Belisário. Questionada sobre a conduta de seu neto, ela nada soube dizer, autorizando a entrada dos policiais e inclusive pedindo para que seu imóvel fosse revistado, demonstrando que nada de ilícito havia no local, o que foi confirmado pelos policiais. Perguntada sobre a rotina de seu neto, ela informou que ele não residia há três meses com ela, mas que sempre a visitava de carro ou moto, e disse que ele costumava deixar a moto com "um rapaz" residente no mesmo bairro, amigo próximo dele. Disse que não sabia o nome desse amigo, apenas que morava nos "Chalés do Belisário".

Com essa informação os policiais foram até o local mencionado, e assim que entraram se depararam com um veículo Hyundai HB20 preto parado em frente ao primeiro imóvel. Como era um veículo novo, que destoava do local, os policiais bateram na casa. Dela saiu um indivíduo, que ao ver as viaturas policiais e a equipe, tentou demonstrar calma, embora se mostrasse assustado. 

O indivíduo, O.A.S.J., de 27 anos, foi questionado se conhecia H.J.O.F., que tinha uma moto, respondendo de pronto que sim, que eram amigos e trabalhavam como UBER. Questionado sobre a última vez que tinha o visto, respondeu que na última semana. Ao ser informado de que o amigo havia sido preso e estava sendo investigado, o indivíduo se mostrou preocupado, com gestos corporais de abaixar a cabeça, cair de ombros e desolação, com os braços para trás. O delegado perguntou se ele tinha algo de ilícito em seu veículo ou na sua casa, e ele respondeu que não, consentindo a vistoria no imóvel. 

Dentro do imóvel, composto por três cômodos de madeira, não havia ninguém e um dos policiais, ao verificar o quarto, visualizou armas de fogo armazenadas (amontoadas) misturadas com munições diversas em uma caixa de papelão que estava no chão.

O.A.S.J. recebeu voz de prisão e disse: "A casa caiu, isso aí é do H."!. Questionado sobre demais armas, respondeu que não tinha mais nada e que "recentemente tinha vendido dois revólveres". Ele foi conduzido para a delegacia, assim como os objetos encontrados e o veículo, que estava parado na rua, aberto e cuja procedência não soube dizer.

Foram recuperadas 11 (onze) armas de fogo, sendo duas pistolas Taurus calibre .380; três pistolas Taurus calibre .765 com três carregadores; uma pistola Bersa calibre .380; dois revólveres Rossi calibre .38 e três revólveres Taurus calibre .38, além de 154 (cento e cinquenta e quatro) cartuchos.

O.A.S.J. foi preso em flagrante, incurso no crime de porta ilegal de armas de uso restrito (art. 16 da Lei 10.826/03 - Estatuto do Desarmamento). A autoridade policial representou pelo pedido de sua prisão preventiva e determinou a abertura de inquérito policial para apurar o vínculo entre os dois indivíduos, além da subtração das armas e sua destinação.

Mais armas recuperadas

Às 20h50, a Polícia Civil passou a fazer diligências no intuito de localizar o armamento subtraído e em buscas em locais diversos ligados aos fatos, localizaram um automóvel GM Corsa Sedan prata estacionado em via pública no Jd. Belizário. Por meio de um chaveiro, o veículo foi aberto e no porta malas foram encontradas 12 armas de fogo, além de munições e carregadores. Segundo informações anônimas, o proprietário do veículo era morador da rua. Os policiais foram até a residência, porém não havia ninguém.

As 12 armas (cinco revólveres calibre .38; uma metralhadora Beretta 9mm com dois carregadores; uma submetralhadora calibre .380 com um carregador; dois revólveres calibre .32; uma pistola calibre .40; uma pistola Rohm calibre 6,35; e uma pistola Taurus calibre .380) foram apreendidas e encaminhadas para o Instituto de Criminalística para perícia.

Outras duas prisões
Ainda na sexta-feira foram expedidos outros dois mandados de prisão pela Vara Criminal do Foro da Comarca de Cotia. Eles foram cumpridos na manhã de sábado(6), e culminaram com a prisão de E.A.S., de 50 anos, e G.A.S., de 42 anos. Eles foram presos em endereços distintos e encaminhados à Cadeia Pública de Cotia. Foi expedido mandado de busca e apreensão no último endereço, já que na presença de seu advogado, o indivíduo recusou-se terminantemente a consentir o desbloqueio de seu aparelho celular, bloqueado por "impressão digital". No local, nada de ilícito foi encontrado.

As diligências continuam a cargo do setor de investigação da Delegacia de Cotia. Até o presente momento não foi indicado nenhum policial civil no esquema de desvio e comércio de tais armas.

 

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