Criança havia se engasgado com papinha

Um almoço de família se tornou um pesadelo para um casal morador do bairro Quinta dos Angicos dias atrás, quando a bebê de 7 meses se engasgou com a papinha e chegou a desfalecer.

Os pais saíram em busca de socorro com os vizinhos, tentando desengasgá-la, sem sucesso. A caminho do hospital, pararam na base da Guarda Civil de Cotia, onde entregaram a filha nos braços do GCM Antônio da Silva, conhecido como Malvadeza – um apelido inapropriado neste caso.

O GCM contou que quando avistou o carro e o desespero da mulher pensou se tratar de um assalto, sequestro. “Mas era pior”, definiu. “Quando ela me entregou a bebê já roxa, desfalecida, sem batimento cardíaco, dei início à manobra [Heimlich]. Meu pensamento pedia a Deus para a criança voltar a respirar”, lembrou.

Naquele cenário de desespero a mãe lembra que os minutos se transformaram em horas. “Tudo aconteceu num intervalo de cinco minutos, mas pareceu um dia inteiro pra mim [sic]”, descreveu. Ao fazer a manobra o GCM sentiu em seu braço as primeiras batidas do coração da criança. A garotinha voltou a respirar. “Quando eu a virei, ela vomitou e abriu os olhos, eu comecei a chorar”, emocionou-se Malvadeza. “Somos treinados para proteger a sociedade, salvar vidas, mas nada se compara a salva uma vida desta maneira”, completou.

A garotinha foi levada para o Hospital Regional de Cotia e depois para o Hospital São Francisco. Neste último, passou por diversos exames, ficou um dia na UTI e, para alívio da família, não teve sequelas. “A minha vida recomeçou naquele momento”, disse a mãe. “Agradeço muito aos meus vizinhos que me ajudaram, aos guardas e, em especial, ao GCM Malvadeza. Ele foi um anjo que Deus colocou nas nossas vidas”.

O prefeito Rogério Franco parabenizou o GCM pelo procedimento assertivo e pelo controle emocional para lidar com a situação. "Estamos muito felizes em saber que o final foi um sucesso e a criança está bem”, disse.

De frente com a morte
Em abril deste ano, em um dia de folga, o GCM Antônio da Silva, o Malvadeza, estava em sua moto quando foi abordado por criminosos em outras duas motos, que anunciaram o assalto. Houve troca de tiros e o GCM foi alvejado pelas costas. Na ocorrência, um dos assaltantes também foi baleado.

Os dias que se sucederam foram de luta pela vida e por sua recuperação. Um dia na UTI, sete dias internados e meses de recuperação. Voltou à corporação recentemente. Ainda afastado das ruas, Malvadeza se dedica a trabalhos internos na corporação. “Nossa vida é uma balança, vamos do céu ao inferno e, depois de tudo que vivi, tive a oportunidade de ajudar a salvar a vida dessa bebê. Não dá para descrever”, disse o GCM.

Fotos: Vagner Santos

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