As constantes quedas de energia nos quatro cantos de Cotia, fizeram com que a Câmara Municipal tomasse uma atitude e realizasse na manhã dessa quarta-feira(14), uma audiência pública com a Eletropaulo, a fim de colocar um ponto final, ou quase, nos problemas causados pela interrupção de energia.

Estiveram presentes representando a AES Eletropaulo, o diretor vice-presidente - Roberto Dinardo, o diretor de marketing - Artur Tavares, o diretor regional Oeste - Anderson Oliveira, o gerente do poder público - José Antonio Martins, além de Rômulo da área técnica, Ondina da Ouvidoria, Ligia - da coordenadoria de clientes e Aline - da assessoria de imprensa.

O Portal Viva esteve presente, e disponibilizou via Twitter (@Fau Barbosa), o acompanhamento em tempo real da audiência pública. Estiveram presentes os vereadores Kalunga, Neto, Paulinho Lenha e Beto Rodovalho.

O presidente da Câmara - Marcos Nena - abriu a audiência citando os constantes problemas de queda de energia na cidade, e começou exemplificando que, na 2ª feira, ao se dirigir para Caucaia, todos os bairros de Cotia estavam às escuras até o km 39 da Raposo. O problema foi causado pela queda de uma árvore em cima da rede, e que rompeu o cabo, deixando os bairros sem energia, segundo a própria Eletropaulo.

Nena passou a palavra ao vereador Toninho Kalunga, que citou que em 2003 o problema de queda de energia constante se limitava ao Jardim Japão. "Era um problema localizado, que hoje atinge toda a cidade de Cotia", disse. Segundo ele, a Eletropaulo não faz favor para ninguém. Ela recebe por isso e tem que atender bem a população. "Além da responsabilidade de oferecer um bom serviço, para que a população tenha a dignidade da luz e não da lamparina", frisou.

Kalunga formulou algumas perguntas aos representantes da concessionária. Questionou quanto é cobrado por mês da prefeitura de Cotia, qual a frequência de queda de energia por bairros, qual a área com a maior queda de energia, se há plano de expansão, quais os lucros obtidos em Cotia, e quais são as principais reclamações.

O diretor vice-presidente Roberto Dinardo informou que estavam ali para prestar esclarecimentos.

"A Eletropaulo tem  feito investimentos da ordem de 5 bilhões desde 1998. Para 2010, o investimento previsto é de 690 milhões. São hoje 18.179 pontos de iluminação pública na cidade de Cotia", disse. "De janeiro à março, colocamos 200 novas luminárias. Em abril estamos iluminando algumas ruas, como a rua México, rua Nigéria, rua Rio Grande do Norte, Santa Rita, Estrada dos Victors, etc. Fora mais nove projetos ainda em abril", ressaltou.

Dinardo explicou que a Prefeitura é quem solicita a iluminação. Então a Eletropaulo orça, a Prefeitura paga, e a concessionária executa o serviço. Ele não soube responder quantas ruas estão sem iluminação. "Mas o poder executivo deve saber", disse.

Com relação à frequência na queda de energia, eles falou sobre os indicadores: "Em 2008, para uma média de 30 horas previstas, tivemos 26 horas de desligamento. Em 2009, de 40 horas, tivemos 27 horas", explicou.

O diretor citou ainda que o principal motivo de interrupção de energia na cidade são as quedas de galhos de árvores (60%). "Em 2009 fizemos 147 mil podas de árvores. Em 2010 a previsão é de 225 mil", informou, citando a necessidade de autorização do Meio Ambiente Municipal.

"Se fizermos podas com maior frequência, a energia cairá menos", ressaltou.

Dinardo informou que foram gastos cerca de 495 mil reais em podas em 2009. Em 2010, só de janeiro à abril, a Eletropaulo já gastou 163 mil reais. 'Estamos sim tentando melhorar o fornecimento", ressaltou.

"Só em Caucaia são 5 mil podas. As árvores causam um dano bastante extenso, dependendo de onde bate. Muitas vezes é preciso esperar os bombeiros", relatou.

Ele respondeu ainda que em Cotia não há cobrança de taxa de iluminação pública. Com relação à pergunta de quais ruas tem maior queda de energia, ele disse que é a região dos bairros distantes em Caucaia.

Kalunga questionou também sobre a tarifa social, qual o total de municípios que são atendidos por essa tarifa e como funciona. "Existe um regramento, disse Dinardo. A própria prefeitura pode fazer campanha com os munícipes para que seja refeito o cadastro municipal", disse.

A principal reclamação da Empresa é a queda de energia. No período de dezembro à abril, acontece a operação verão, onde há mais solicitações. A falta de iluminação também faz parte das reclamações.

A Eletropaulo tem planos de expansão de rede, e o rodoanel trouxe uma carga adicional, disse o diretor. Existe um planejamento de investir 23 milhões até 2013. Dois postos de atendimento serão melhorados (Centro e Caucaia). Existe plano de expansão para a Granja Viana e para Caucaia.

Marcos Nena citou que são áreas bem opostas. "A Granja Viana vai até o km 30 e tem maior número de indústrias. Caucaia tem um número maior de residências", disse, pedindo um maior detalhamento desse plano de expansão.

Foi explicado que o Complexo Granja Viana contempla a construção de uma estação de 120 mda´s com três transformadores e 12 circuitos primários. Esse plano deve ser concluído em dezembro de 2013. O Complexo Espraiada em Caucaia prevê uma linha de transmissão e investimento de 33 milhões até julho de 2013. Segundo eles, esses são investimentos sistêmicos.

COMUNIDADE RECLAMA E COLOCA ELETROPAULO NUMA SAIA JUSTA

Vários líderes de bairros estiveram presentes à audiência pública, para expor seu descontentamento com a concessionária.

Fau Barbosa, da Granja Viana, jornalista do Portal Viva, e Diretora Social de Assuntos Comunitários do Conselho de Segurança da Granja Viana (Conseg), abriu o debate, representando a Granja.

Falou da falta de segurança gerada no bairro, com o aumento de assaltos por conta de ruas sem iluminação. Questionou o fato da Eletropaulo jogar a culpa nas árvores, sendo que em vários dias de sol, sem nuvens no céu nem ventos, a energia pisca intermitantemente, tendo já queimado vários aparelhos em sua residência, e na de vizinhos. Citou o problema dos postes em meio às ruas, cujo problema já foi levantado em 2006 pelo Conseg em reunião com a concessionária, porém está até hoje sem resposta. E por fim relatou os inúmeros emails que recebe no Portal, falando da dificuldade dos moradores em conseguir que a Eletropaulo efetue a troca de lâmpadas queimadas nas ruas.

A Eletropaulo ouviu atenta ao relato, e disse que fará um acompanhamento. "Há 96 pendências na Granja Viana", disse o diretor Dinardo. "Vamos averiguar os problemas e intensificar a ronda existente na parte da noite para constatar falta de iluminação nas ruas", relatou. Segundo ele, existem vistorias noturnas como um trabalho preventivo. O diretor nos pediu que nossos leitores enviassem o número do pedido de solicitação, para que fossem averiguados. Com relação aos postes no meio da rua, ele informou que a responsabilidade não é só da Eletropaulo. "A prefeitura faz o arruamento. Poste é da União, não é da Eletropaulo. E são usados também por outras concessionárias, como Telefônica" ressaltou. No caso de equipamentos queimados, ele informou que existe um procedimento de ir a um posto e preencher o requerimento, informando hora e data em que ocorreu a queima do equipamento. O prazo para resposta é de até 48 horas. O cliente não deve efetuar o reparo sem ter um posicionamento da empresa antes.

Sonia, do Parque São George quis saber exatamente qual o prazo de redução das quedas de energia e falou dos "gatos" feitos nos postes da cidade.

O diretor da Regional Oeste - Anderson Oliveira respondeu que existe um trabalho com a Prefeitura para verificar onde esses "gatos" ocorrem, e educar a comunidade, regularizando a área.

Maria Auxiliadora, do Morro Grande, citou ainda a falta de luz por volta de meia noite, horário de saída de escolas do Morro Grande, onde a reclamante ligou para a Eletropaulo e teve o telefone desligado na sua cara. O diretor de Marketing pediu desculpas e disse que fica muito triste ao ouvir esses relatos do atendimento.

Rita, líder comunitária do Jardim do Engenho, falou dos 38 assaltos em dois meses na região da avenida João Paulo Ablas. "Pedimos a troca de lâmpadas há exatos oito meses e estamos até agora sem resposta", disse ela. "A Rua das Doninhas está sem luz há anos. A Eletropaulo fez uma poda e jogou tudo em uma praça, formando um enorme monte de galhos. Os ladrões se escondem ali atrás e pessoas já foram assaltadas ali", informou.

Palheta, morador do Mirante da Mata, falou que tem uma casa no Morada Santa Fé, e não pode se mudar pois lá não tem energia elétrica (região da Estrada das Cruzadas, no Morro Grande).

Dona Neusa, do bairro Quinta dos Angicos, informou que protocolou ofício na Eletropaulo no dia 18/03/2009 pedindo poda das trepadeiras nos fios da rua Cotovia, e até agora não foi atendida. "Chegamos a ficar dois dias sem luz, e tivemos computadores, TV e telefones queimados, por que quando venta, saem bolas de fogo dos fios", relatou. "Ligamos para a ouvidoria em Brasilia, que nos mandou ligar para São Paulo, que mandou ligar na Defesa Civil, que mandou ligar no Meio Ambiente, que mandou ligar para a Eletropaulo. É brincadeira, né?", desabafou.

Maria Lucia da Chácara Represinha, endossou tudo o que foi dito e ressaltou o descaso total com os moradores. "Não somos atendidos nem quando pedimos algo, nem quando denunciamos coisas erradas", disse. Ela reclamou do Call Center, e disse que estão "abaixo da crítica". "O atendimento de vocês não sabe nem o que é "um gato", todos aqui sabem, vocês não? Tenho saudades da Light! Quero que vocês indiquem dez moradores que foram ressarcidos pela Eletropaulo", questionou. "Uma dona de casa não pode ficar sem geladeira, não dá para esperar 48 horas para obter uma resposta", disse. Ela citou ainda que Cotia está perdendo empresas, e falou do problema de quem depende de respirador artificial. "Cheguei a ficar 22 horas sem energia, com minha mãe nessa situação. Ainda bem que tive condições de transferí-la, mas quem não tiver morre", ressaltou. "Sou considerada a louca da Represinha. Desde que foi colocado uma EDS (everyday stress) ao lado da minha casa, minha vida se transformou num inferno. Tenho vizinhos que tomam remédio para dormir", disse. "Vou agora ser mesmo a louca da Represinha, vou dormir na porta do presidente da Eletropaulo e vou convocar a imprensa toda. Vocês tem que resolver esse problema da reverberação dentro da minha casa", concluiu.

O vereador Neto apoiou a moradora, pois também é morador do bairro. "É um caso muito grave, estou junto nessa luta", disse.

A Eletropaulo informou que vai detectar o problema e se for o caso vai remover de lá a EDS.

Foi ainda falado sobre o péssimo atendimento do Call Center, ao que o diretor de clientes respondeu que estão sendo feitos monitoramentos contínuos, e pediu que após o atendimento, os clientes façam a avaliação do atendimento na própria ligação.

Foi sugerido que seja feita uma nova audiência pública no dia 14 de agosto, para que seja verificado se os problemas foram sanados. Marcos Nena encerrou a audiência e colocou a sala de vereadores à disposição da Eletropaulo para receber os moradores que quisessem fazer mais alguma reclamação.

Lá foram feitas questionamentos sobre a remoção de postes da frente das casas (valor pedido de R$3 mil reais), reclamações de falta de segurança por causa de ruas sem iluminação, pedido de informações sobre internet banda larga via tomada ainda em testes, e crítica com relação à economia feita pela concessionária na prestação de serviços (esse último negado veementemente pelo diretor de marketing e clientes, Artur Tavares).

Matéria e Fotos: Fau Barbosa

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