A caldeira que explodiu na semana passada, no bairro Quinta dos Angicos, em Cotia, pertencia à uma lavanderia clandestina. Essa é a informação dada pelo Secretário de Indústria e Comércio - Almir Rodrigues, que falou ao Portal Viva, uma semana após o acidente.

A explosão matou o funcionário Anacleto Junior, que trabalhava no local e feriu outros quatro.

O GALPÃO DA LAVANDERIA, TOTALMENTE DESTRUÍDO PELA EXPLOSÃO DE CALDEIRA

HISTÓRICO

O acidente aconteceu no último dia 22 de outubro. A Secretaria de Indústria e Comércio fez um levantamento pelo cartão de CNPJ encontrado e fotografado no local. De acordo com o CNPJ, a sede da empresa fica na rua Padre Arnaldo 195 galpão 2, na Vila Silvania, em Carapicuíba.

"Procuramos informações para saber se era uma empresa regular no Município de Cotia. Porém, não há nenhum pedido de licença de funcionamento, que daria autorização para a lavanderia funcionar, o que para nós a torna clandestina", disse Almir.

No dia do acidente foram mobilizados a Defesa Civil e os bombeiros. Não se conseguiu nenhum contato com os proprietários da lavanderia. Esse assunto está agora sob investigação policial, uma vez que houve uma morte causada por atividade irregular.

"O local foi lacrado, mas violaram o lacre. Parece que estão tirando as coisas de lá", disse Almir. Segundo ele, o lacre serve para impedir a atividade comercial no local.

HABITAÇÃO

O acidente também mobilizou a Secretaria de Habitação. "Fomos chamados para fazer uma avaliação das edificações no local, após a explosão e emitir um laudo", disse o secretário José Lopes Filho.

Segundo José Lopes, foram lavrados dois autos de interdição, nos galpões 3 e 4. "Foi emitido um laudo de desocupação, e uma comunicação para apresentação de documentos", disse o secretário. Os galpões são de propriedade de Evandro Oliveira e foram locados.

Ambos os secretários afirmaram que os fiscais passaram várias vezes no local após o acidente, mas não localizaram os proprietários da lavanderia.

INFORMAÇÕES DESENCONTRADAS

No dia seguinte à publicação da notícia de explosão pelo Portal Viva (leia aqui), a redação recebeu alguns emails, informando distorções no assunto. Uma cunhada do rapaz morto, informou que todos os funcionários da lavanderia trabalhavam sem registro.

"O motivo da caldeira explodir foi falta de água porque a água que abastecia a caldeira era de poço e a região ficou sem energia elétrica e ligaram a caldeira seca. Então eu gostaria que vocês esclarececem essa história", diz um dos emails recebidos. "Aqui tem quantas testemunhas você quiser ouvir. A firma se chamava Lavanderia Santa Fé, só que há um mês mudou o nome para Help e afirmo, o Anacleto não trabalhava registrado".

Nossa reportagem conversou por telefone com a cunhada de Anacleto, que ratificou as informações enviadas por email. Ela nos disse que a família está desamparada e não consegue contato com os donos da empresa. "O Anacleto deixou filho pequeno, a esposa dele está desesperada, pois paga aluguel", disse. Ela informou que a família queria levar o corpo para a Paraíba, mas não tinha condições. O rapaz foi enterrado em Osasco no último domingo.

Tentamos durante a semana fazer contato com a família, mas o celular da cunhada do rapaz não atendeu nossas ligações.

FORNALHA E CALDEIRA (REDONDA) QUE EXPLODIU EM LAVANDERIA NA SEMANA PASSADA

ESCLARECIMENTOS

A reportagem do Portal Viva, após sair da Secretaria de Indústria e Comércio,  esteve novamente no local. No portão de entrada, encontrou um comunidado do Grupo Santa Fé Textil:

"Informamos que a empresa denominada Grupo Santa Fé, situada na Rua Pedro Grosso, nº 60 - galpão 3 - estabelecida desde 16/6/2009, devidamente registrada, possui suas atividades de comércio e prestação de serviços de corte e costura", diz o comunicado.

"Não possuímos absolutamente nenhuma ligação, sociedade ou vínculo com os fatos e acidentes (explosão) ocorridos na empresa do galpão 4 no dia 22/10 (sexta feira)".

COMUNICADO DO GRUPO SANTA FÉ TEXTIL, FIXADO NO PORTÃO DE ENTRADA.

Adentramos o local e conversamos com uma funcionária do atendimento, que nos falou sobre a lavanderia e contou como foi o acidente. "Os donos se chamam Laerte, Carlos e Henrique. Eles não foram mais vistos depois da explosão", disse, contando detalhes.

"O Anacleto já foi tirado sem vida do local. Ele estava em frente à máquina posicionada na parede onde a caldeira estava instalada, e que foi empurrada na hora da explosão", disse.

Ela explicou que a caldeira estava do lado de fora do galpão, e a máquina de lavar estava na mesma direção, só que do lado de dentro. Com a explosão, a parede foi empurrada, o que matou Anacleto. "Cerca de 15 funcionários estavam no galpão na hora da explosão. Eles só não se feriram por que estavam no final do galpão, longe da parede onde a caldeira explodiu, onde ficavam os ferros de passar", informou.

FUNDO DO GALPÃO, ONDE ESTAVA A MAIORIA DOS FUNCIONÁRIOS NA HORA DA EXPLOSÃO.

MÁQUINA DE LAVAR QUE FOI EMPURRADA PELO IMPACTO DA EXPLOSÃO E MATOU RAPAZ

"Outros quatro funcionários tiveram ferimentos leves", disse. A funcionária afirmou que nenhum funcionário da lavanderia estava registrado. "A lavanderia funcionava 24 horas", relatou.

O gestor do Grupo Santa Fé - Wilson do Amaral, estava no local, com o sócio Marcelo Osozuka. Wilson falou ao Portal Viva: "O proprietário alugou os galpões para duas empresas. Estamos aqui desde julho de 2009, e a lavanderia já estava aqui quando chegamos. Somos uma malharia e estamparia, não temos nada a ver com a outra empresa", disse.

OUTRO ACIDENTE EM COTIA

Segundo informação da Secretaria de Indústria e Comércio, um outro acidente aconteceu em Cotia, há cerca de 12 anos.

"Uma caldeira explodiu na empresa localizada ao lado do Cotolengo, na Granja Viana. O acidente teve duas mortes e vários feridos", informou o secretário.

OUTRA CALDEIRA EXPLODIU EM COTIA, HÁ CERCA DE 12 ANOS, COM DUAS MORTES.

O Portal Viva vai acompanhar o desenrolar das investigações.

Fica aqui a dúvida: Será que existem outra empresas trabalhando com caldeiras, e em situação irregular no Município? Quantas vidas mais correm perigo?

Matéria e Fotos: Fau Barbosa

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