Na noite dessa sexta-feira(26), a Câmara Municipal de Cotia lotou com a realização da tão aguardada Audiência Pública de Concessão do Transporte Coletivo Urbano.

Cerca de 200 pessoas estiveram presentes. O Secretário de Trânsito e Transportes, Claudio Olores, abriu a audiência lendo o edital de convocação, explicando que as perguntas deveriam ser entregues por escrito ate cinco minutos após a apresentação.

Os formulários eram preenchidos pela equipe da secretaria, que circulava entre os presentes.

"As perguntas que não puderem ser respondidas hoje, serão respondidas por email", disse Olores. Dando continuidade, o secretário falou sobre os propósitos da audiência e compôs a mesa de autoridades.

"Esse é um momento histórico na nossa cidade de Cotia. Precisamos melhorar o transporte e o respeito ao cidadão. Isso é fundamental para nós da Secretaria e para o Prefeito Carlão", ressaltou. "Não dá mais para admitir que o transporte esteja com a má qualidade que se encontra hoje".

O presidente da Câmara, Paulinho Lenha, lembrou quando se iniciou o transporte alternativo na cidade. "Há 10, 15 anos, ele era de uma maneira. Hoje é de outra. Somos cobrados todos os dias", lembrou. Lenha relembrou o compromisso de campanha do prefeito em 2008. "Quando o projeto veio para a Câmara, ficamos estudando por quatro, cinco meses, e vendo a melhor forma de adequá-lo à cidade de Cotia", relatou.

Segundo ele, "desde que se entende por gente", a Danúbio está no Município. "Precisamos adequar e melhorar o transporte para dar mais qualidade de vida à população. Há lugares na cidade onde não há nem ônibus, nem lotação. Onde há fluxo, tem ônibus, onde não tem, não há transporte".

O vereador Neto citou que os vereadores recebem reclamação dos munícipes "todo santo dia". "O transporte está muito ruim", disse.

Claudio Saraiva foi enfático ao dizer que "é preciso muita coragem para colocar a mão nessa ferida". Ele citou que o transporte de passageiros avançou, mas que ainda é muito precário e que há muito o que melhorar, principalmente o transporte que atende o idoso e o cadeirante.

"Há muito tempo que o transporte alternativo deixou de ser alternativo", disse o vereador Toninho Kalunga. "Se não fosse ele, hoje a cidade estaria um caos".

Para ele, o que falta é a regulamentação, e isso dá margem à corrupção e não deixa ninguém exigir nada. O resultado é a bagunça que está o transporte na cidade. "Essa audiência tem tudo para transformar a vida política dessa cidade". E foi aplaudido pelos perueiros ao dizer: "Que não se dê ao Transporte Alternativo apenas o osso, mas que eles tenham também o direito à um pedaço do filet", concluiu.

O Secretário Olores mostrou aos presentes um ofício, de nº355/2011, enviado pelo prefeito Carlão ao Governo do Estado, onde ele pede a equiparação do valor da tarifa do transporte dentro do Município. "O ônibus que vem de Caucaia e do Jardim Japão tem que custar R$2,20 e não R$3,15 (intermunicipal)", ressaltou. E disse que o prefeito prometeu: "Se até a licitação a EMTU não responder esse ofício, nós vamos considerar esse transporte como uma linha municipal".

Para o vereador Giba, o transporte alternativo ajudou a manter a tarifa em R$2,20. "Mas vivemos um verdadeiro caos hoje e precisamos colocar um fim nisso", enfatizou. "A Danúbio não cumpre horários, não quer fazer determinadas linhas e nunca foi multada", disse citando Carapicuíba, que segundo ele, é um modelo de transporte na região.

Para Marcos Nena, "uma cidade que não tem lei e não tem regras, é uma cidade sem fronteiras". Falando da tarifa intermunicipal cobrada dentro de Cotia, ele citou dois casos, um do bairro do Caputera que apesar de estar em Cotia, utiliza o transporte do vizinho Embu, pois não tem transporte próprio e outro de uma linha de ônibus de Itapevi à Itapecerica, que passa por Cotia e pelo Embu e não é considerada intermunicipal pela EMTU. "Ou seja, são dois pesos e duas medidas", relatou.

"A grande reclamação, de ponta à ponta na cidade é o transporte público", disse o Secretário de Cultura e Turismo Sergio Folha. "Os mais prejudicados são os pais de família e os estudantes. Essa audiência pública é para debater e trazer soluções".

Olores citou o Portal do Quilombo, na divisa de Caucaia, onde os moradores andam 3 kilômetros à pé até o bairro dos Grilos, para tomar ônibus. "O Ônibus não entra lá no bairro por que diz que tem pouca demanda de passageiros", contou.

Segundo ele, na mesma situação, sem ônibus, estão outros bairros, como Capuava, Caputera, Pioneiro, Vista Alegre, etc. "Não tem transporte"!

O Secretário falou sobre o estudo inédito feito para o transporte em Cotia. "Só podíamos fazer a licitação com o estudo encomendado. Foram um ano e dois meses de estudo. Agora estamos preparados para fazer uma licitação como nunca se fez em Cotia", disse. Ele mostrou ainda uma pasta contendo todas as solicitações  de linhas, de alteração de horários etc, feitas pela população. "Com a licitação, todos esses processos terão que ser atendidos pela empresa que ganhar, ou ela será multada".

"A qualidade do transporte só vai melhorar se houver fiscalização. Para que o sistema seja todo fiscalizado, admitimos 15 novos fiscais que prestaram concurso público. E todos os ônibus e micros serão monitorados. O povo é o maior fiscal do dia-a-dia", ressaltou, antes de apresentar o objeto da licitação e ler as sugestões dos presentes que se inscreveram, respondendo cada uma.

Olores agradeceu em nome do prefeito a presença de todos, falando do papel importante da imprensa na divulgação dos fatos.

A audiência transcorreu sem problemas e contou com a presença do representante da Coopertac, José Carlos Rodrigues, o presidente do Conselho da Pessoa com Deficiência, Paulo Generoso, e o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Alex da Força, além da imprensa local.

Fau Barbosa

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