Pesquisa do Procon-SP revela que 79% dos consumidores desconhecem teto de preço de medicamentos
- Da Redação

- 26 de jun.
- 3 min de leitura

Levantamento aponta que metade dos entrevistados troca remédios prescritos por genéricos ou opções mais baratas; custo elevado faz 88% deixarem de comprar itens de saúde (Divulgação: Pablo Jacob/Governo de SP)
Uma pesquisa inédita realizada pelo Procon-SP acendeu um alerta importante sobre o comportamento e os direitos dos consumidores na hora de ir à farmácia. De acordo com o levantamento, quatro em cada cinco compradores (79,1%) desconhecem que a maioria dos medicamentos possui um teto máximo de preço definido por lei. A regulação é estabelecida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e divulgada pela Anvisa por meio do Preço Máximo ao Consumidor (PMC).
O estudo, realizado entre 4 e 29 de maio de 2026 com 1.819 moradores do estado de São Paulo, mostra que a desinformação cresceu: no ano passado, o índice de desconhecimento sobre o teto de valores era de 74,82%. O cenário preocupa o órgão de defesa do consumidor, especialmente porque o custo dos remédios tem pesado drasticamente no orçamento das famílias. Entre os participantes, 88,10% afirmaram que já deixaram de adquirir algum item de saúde por falta de dinheiro, e 94,93% fazem pesquisas de valores antes de fechar a compra.
Troca de receitas e critérios de escolha
Diante dos preços elevados, a busca por alternativas mais econômicas se tornou o padrão para metade da população. Quando recebem uma receita médica, 50,20% dos consumidores afirmam que trocam o produto indicado por um genérico ou por outra marca mais barata. Apenas 31,73% das pessoas declararam comprar exatamente o item prescrito pelo médico.
Para os remédios que não exigem receita, a automedicação e a influência no balcão ganham força. A experiência anterior com o produto (34,20%) e a recomendação direta do farmacêutico (27,18%) aparecem como os principais critérios utilizados pelos clientes na escolha. Além disso, 70,35% dos entrevistados acreditam que a publicidade de laboratórios induz à automedicação.
Perigo na privacidade: O mistério do CPF na farmácia
Outro ponto crítico identificado pelo Procon-SP envolve a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Para garantir descontos nos caixas, 71,20% dos consumidores fornecem o número do CPF sempre que solicitado.
No entanto, a entrega do documento ocorre sem nenhuma transparência por parte das drogarias:
54,29% dos clientes afirmam que não sabem como suas informações são tratadas, guardadas ou utilizadas pelas redes.
35,24% declararam ter dúvidas frequentes sobre o destino de seus dados pessoais.
O Procon-SP reforça que as drogarias precisam aprimorar urgentemente a comunicação com o público. Os estabelecimentos devem explicar de forma clara se os dados coletados são compartilhados com laboratórios parceiros, convênios médicos ou redes hospitalares, e se existe monetização em cima dessas informações.
O cidadão tem o direito assegurado de exigir esses esclarecimentos antes de digitar o documento no teclado do caixa.
Mudança de hábitos de consumo (2025 vs. 2026)
A pesquisa também apontou que o consumidor está diversificando a forma de comprar, deixando de ser fiel apenas às lojas de bairro ou grandes pontos comerciais de rua:
Comportamento Monitorado | Cenário Anterior (2025) | Cenário Atual (2026) |
Preferência exclusiva por grandes redes físicas | 51,91% | 43,17% |
Uso combinado de canais físicos e online (sites/apps) | 31,25% | 39,40% |
Desconhecimento sobre o teto de preços (PMC) | 74,82% | 79,13% |
Percepção de que anúncios induzem à automedicação | 66,10% | 70,35% |
Links úteis e materiais de apoio
Consulte os dados oficiais: Você pode conferir o relatório detalhado da pesquisa de hábitos de compra estruturado pelo órgão acessando o Relatório Oficial do Procon-SP.
Orientações para o bolso: Para aprender a fiscalizar os preços e garantir um consumo seguro, baixe gratuitamente o manual informativo na Cartilha de Medicamentos do Procon.



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