Carta Mensal do Cidade Âncora


A história explica o presente. No caso do Âncora, entender como ele foi desenhado, planejado e para servir a qual propósito, é fundamental para a compreensão do presente e a construção do futuro.

Estamos no momento - por causa do livro dos 25 anos - debruçados sobre os primeiros anos do que chamávamos a Cidade da Âncora .

A criação do Âncora, sua concepção, seus objetivos, partiram de seus dois fundadores, que vislumbraram na educação para a cidadania o melhor e mais eficiente caminho para a transformação da sociedade e do ser humano. O Estudo Preliminar de arquitetura se baseou, entre outros, na Carta Apostólica Octogésima Adveniens de 1971, escrita pelo Papa Paulo VI, que trata, sobretudo, do compromisso sócio-político dos cristãos. Um dos tópicos da Carta trata dos problemas sociais e, dentre eles, o da urbanização.

"A pessoa se salvará pela salvação da cidade. O homem e a mulher não vivem sós e se salvam no mundo ao qual pertencem. Só se salvam salvando seu próximo. E o próximo é o povo da cidade onde cada um vive. A Cidade da Âncora estimulará a relação das pessoas com a natureza. E, para responder às necessidades da natureza humana, a cidade não pode ser apenas funcional, mas ecoar em si a busca da beleza. A cidade deve ser uma obra de arte. Materiais, técnicas, formas e cores devem expressar essa beleza.

Instalar-se num território equivale, em última instância, a consagrá-lo, diz Mircea Eliade no livro O Sagrado e o Profano. Quando a instalação já não é mais provisória, como nos nômades, mas permanente, como é o caso dos sedentários, implica uma decisão vital que empenha a existência de toda uma comunidade. Situar-se num lugar, organizá-lo e habitá-lo são ações que pressupõe uma escolha existencial.” (Trecho do texto introdutório do Estudo Preliminar de Arquitetura – 1995) O Âncora não nasceu de uma ideia, mas de uma crença. Acreditávamos que o elemento primário do sagrado é a vida comunal. Acreditávamos numa solidariedade indissolúvel entre o social e o sagrado. Ortega y Gasset em seu livro Ideas y creencias, distingue ideias de crenças. As ideias nós as temos. Nas crenças nós estamos. E quando cremos de verdade numa coisa, não temos uma ideia dela, só contamos com ela. Isso e muito mais será contado nos 7 capítulos do livro. Aguardem! Abraço grande e solidariedade amorosa a todos que estão em sofrimento nesse momento. REGINA MACHADO STEURER Fundadora e Conselheira CIDADE ÂNCORA