"Um morcego me mordeu. E agora?"


Moradora da Granja Viana, jornalista relata o susto que passou e o que teve que fazer.

"Neste sábado estava em casa, tranquila, quando fui chamada pela minha filha para ajudá-la a resolver uma situação: um bebê morcego havia entrado em seu quarto, e meu gato, vendo-o voando, deu um salto no ar típico dos felinos e o derrubou no chão. O pobre estava lá, acuado, imaginando como sairia daquela situação. Retirado o gato do recinto, pensei: - Tranquilo, agora vamos retirar o bebê morcego daqui. Coloquei uma luva para não ter contato direto com o animal silvestre e lá fui eu pegá-lo. Não imaginava, na minha inexperiência, que ele fosse me morder, uma defesa natural de quem acabara de ser atacado.


Pensei: -- É só um bebê. Acho que não preciso fazer nada. Mas, ao mesmo tempo, refleti: -- É um animal silvestre e a gente nunca sabe. Na mesma hora liguei para um amigo veterinário, bem mais acostumado com o assunto “raiva” e ele me recomendou a vacina.


Procurei informações sobre onde tomar a vacina antirrábica em Cotia e me dirigi ao Pronto Atendimento da região. Nesse meio tempo, por ter médicos na família, mandei mensagem aos mesmos para ouvir também suas recomendações. Um deles me indicou também a vacina para o tétano e o outro o soro, que já deposita em seu organismo os anticorpos necessários que só serão produzidos pela vacina no seu corpo dias depois.


O PA não me aplicou a vacina para tétano e não me deu informações de forma proativa sobre qual seria o procedimento sobre outras doses da vacina, que sempre ouvi falar que eram várias – há mais de 30 anos minha irmã havia tomado 17 doses na barriga após ser mordida por um cão na rua. Imaginem! Saí do PA por volta das 21h com a recomendação de que deveria ir a uma UBS na segunda-feira, que lá me dariam todas as orientações.


Como estava em São Paulo hoje (domingo), decidi, em nome da minha saúde, já que a raiva é uma doença com 100% de letalidade, ou seja, não tem cura e você morre se a adquirir --, me dirigi ao Hospital Emílio Ribas, na capital paulista, onde existe o Espaço Pasteur, setor de atendimento à profilaxia da raiva. Lá, recebi o soro que precisava, tomei a vacina do tétato e fui orientada a tomar outras três doses da vacina da raiva – atualmente, a recomendação é de quatro delas – na próxima terça e nos dois sábados seguintes, dando um intervalo, portanto, de 0 (dia da primeira dose), 3, 7 e 10 dias para a vacinação. Atendimento de primeira no Emílio Ribas!

Voltei para a casa com a sensação de que falta orientação nos PAs de uma região que deveria ser a primeira em ter informações sobre animais silvestres e procedimentos justamente por ter uma presença animal bem maior que na capital paulista. Qualquer pessoa que foi até ali poderia ter tomado apenas uma dose e não voltado mais. E no Emílio Ribas soube que não são todas as UBSs que fazem a profilaxia da raiva.

Bem, com meu relato, espero ajudar quem passar pela mesma situação que eu. A primeira dica é a que me foi dada pelo veterinário Dr. Salvador Felis: se for pegar o morcego com a mão, use uma toalha! Mas se acontecer o mesmo com você, já deixo aqui todas as recomendações e caminhos!

(Fonte: http://www.saude.sp.gov.br/resources/instituto-pasteur/pdf/atendimento-medico/normas_tecnicas_profilaxia_raiva.pdf).


Cláudia Santos é jornalista e moradora da Granja Viana há 21 anos



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