Bebida adulterada com metanol causa mortes e intoxicação em SP; associações emitem alerta sobre risco
- Fau Barbosa
- 29 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Casos de intoxicação resultaram em ao menos nove internações. Em 2023, a Polícia Civil fechou fábrica e apreendeu bebidas falsas em Santana de Parnaíba (Arquivo: Portal Viva)
A ingestão de bebidas adulteradas com metanol provocou duas mortes e pelo menos nove casos de intoxicação em São Paulo nos últimos 25 dias, segundo autoridades de saúde.
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo informou no sábado (27) que foram registradas duas mortes por intoxicação por metanol no estado desde junho – uma em São Bernardo do Campo e outra na capital paulista.
O que é metanol
O metanol é uma substância líquida, inflamável e incolor. É amplamente utilizado como solvente, na fabricação de combustíveis, plásticos, tintas e medicamentos.
Tem grande potencial de intoxicação, e quando consumido pode levar à morte mesmo em doses pequenas.
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Entidades preocupadas
Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATOX) de Campinas, a ingestão se deu em cenas sociais de consumo alcóolico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida, como gin, whisky, vodka, entre outros.
Alarmadas com a situação, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e a Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia (ABNO) divulgaram notas oficiais com alertas à população (leia aqui).
A Abrabe manifestou “profunda preocupação e solidariedade às vítimas e familiares” e destacou que atua no combate ao mercado ilegal de bebidas, além de acompanhar operações de apreensão de produtos falsificados. Apenas em 2025, mais de 160 mil itens ilícitos já foram retirados de circulação, incluindo insumos e equipamentos.

Risco de cegueira
A Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia (ABNO) chamou a atenção para os graves riscos à saúde ocular. De acordo com a entidade, o metanol pode provocar neuropatia óptica, doença que pode causar cegueira irreversível. Entre 12h e 24h após a ingestão, surgem sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos, dor abdominal, confusão mental e, principalmente, visão turva súbita ou perda da visão.
O tratamento deve ser iniciado de forma imediata, com uso de antídotos como etanol venoso, bicarbonato, vitaminas e, em casos graves, hemodiálise para remoção da substância tóxica.
Ações emergenciais
Diante da gravidade, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP) publicaram nota técnica com recomendações urgentes.
A medida é dirigida a bares, restaurantes, casas noturnas, hotéis, mercados, atacarejos, distribuidores, plataformas de e-commerce e aplicativos de entrega, mas também orienta consumidores sobre sinais de alerta para suspeita de adulteração.
São recomendados aos estabelecimentos:
aquisição exclusiva de bebidas por meio de fornecedores formais com CNPJ ativo e regularidade no segmento;
compra acompanhada de nota fiscal e conferência da chave de segurança nos canais da Receita Federal;
não recebimento de garrafas com lacre e rolha violados, rótulos desalinhados ou de baixa qualidade, ausência de identificação do fabricante e importador, sem a identificação dos lotes, com numeração repetida ou ilegível;
realização de medidas de rastreabilidade como dupla checagem.
O documento aponta ainda que a prática de preços muito abaixo do mercado, odor incompatível com o da bebida, ou relato de sintomas indesejados como visão turva, dor de cabeça intensa, náusea, tontura ou rebaixamento do nível de consciência são alertas para suspeita de adulteração.
Com informações da Agência Brasil
Imagens: Portal Viva /Arquivo



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