Chuva dá trégua e Cotia sai do estado de alerta no setembro mais chuvoso dos últimos 10 anos

Apesar do alívio nos acumulados, solo encharcado exige atenção contínua da Defesa Civil e especialista reforça a importância da conscientização ambiental
Apesar de dias de chuva intensa, Cotia finalmente registra uma trégua. O volume acumulado caiu significativamente e o município deixou de aparecer entre as cidades com índices relevantes de chuva no último relatório do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), divulgado pela Defesa Civil.
De acordo com o levantamento, o acumulado registrado em Cotia nas últimas 48 horas caiu de 90 mm, na manhã de terça-feira (15), para 18 mm nesta quarta-feira (16). Nas últimas 24 horas, foram registrados apenas 5 mm de chuva. Segundo o CGE, a cidade não foi incluída na relação de acumulados significativos das últimas 72 horas justamente em razão da ausência de novos índices elevados.
“Essa redução representa um grande alívio para todos nós, contribuindo para a diminuição dos riscos de alagamentos e enchentes em córregos e rios”, afirmou o secretário da Defesa Civil de Cotia, Marcos Nena.
Alerta para solo encharcado e áreas de risco
Mesmo com a melhora nas condições climáticas, as equipes mantêm o monitoramento das áreas mais vulneráveis. Como o volume recente foi expressivo, o solo permanece saturado e pode apresentar riscos de desmoronamento e deslizamento nas margens de rios e encostas.
A engenheira ambiental Ana Paula Botelho, da Secretaria do Meio Ambiente de Cotia, detalha que o solo atinge o ponto de saturação quando seus poros se enchem totalmente de água, impedindo novas infiltrações e fazendo o excedente escoar pela superfície.
Sinais de alerta: Presença de poças de água acumuladas em terrenos terrenos secos ou a sensação de lamaçal ao pisar, mesmo sem chuva recente.
Tempo de drenagem: Varia de acordo com o tipo de solo. Solos argilosos retêm umidade por mais tempo, enquanto os arenosos escoam a água mais rapidamente.
Prevenção comunitária: Não descartar lixo em córregos ou vias, manter bueiros desobstruídos, preservar vegetações ripárias e notificar órgãos públicos ao constatar riscos.
Setembro mais chuvoso da década
O volume pluviométrico medido nos primeiros 14 dias de setembro de 2026 acumulou 204 mm (média calculada a partir de três estações contínuas do Cemaden). Esse número supera em 286% a média histórica dos meses de setembro na cidade entre 2016 e 2025 (52,9 mm).
Ano | Acumulado médio (mm) | Pluviômetros válidos |
2016 | 23,7 mm | 6 |
2017 | 31,2 mm | 6 |
2018 | 77,0 mm | 6 |
2019 | 68,9 mm | 5 |
2020 | 17,1 mm | 6 |
2021 | 20,5 mm | 5 |
2022 | 136,4 mm | 6 |
2023 | 64,1 mm | 5 |
2024 | 33,3 mm | 4 |
2025 | 56,3 mm | 3 |
2026 (até 14/09) | 204,0 mm | 3 |



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