Futura Estação Vital Brasil da Linha 22-Marrom não terá conexão física com a Linha 4-Amarela no Butantã
- Fau Barbosa
- há 4 horas
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Parada estratégica perto da USP terá 34 metros de profundidade, bicicletário e conexão com o Instituto Butantan (Imagem: IA/Portal Viva)
Os planos de expansão do Metrô de São Paulo trazem novidades importantes para os moradores da região oeste e da Subregião Sudoeste da Grande São Paulo (incluindo Cotia). De acordo com informações técnicas apuradas pelo site Via Trólebus, a futura Linha 22-Marrom contará com a Estação Vital Brasil, localizada no bairro do Butantã. O detalhe que chama a atenção no projeto básico é que a nova parada não terá uma conexão subterrânea ou física direta com a atual Estação Butantã da Linha 4-Amarela, ficando distante cerca de 700 metros do ponto de embarque já existente.
A nova estação desempenhará um papel estratégico de microacessibilidade e conectividade regional. Ela ficará situada exatamente na confluência de três eixos viários cruciais da Zona Oeste: as avenidas Vital Brasil, Corifeu de Azevedo Marques e Caxingui. O local funcionará como um portal de acesso direto ao Instituto Butantan e ao campus da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP).

Restrições ambientais e os limites do terreno
O desenho arquitetônico da Estação Vital Brasil foi fortemente condicionado por fatores geográficos complexos. O site Via Trólebus detalha que uma parcela do terreno do corpo principal está inserida na Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego Pirajuçara. Por conta dessa fragilidade ambiental e dos riscos de inundação, o Plano Diretor não poderá converter o uso do solo do entorno para Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU), blindando a região contra a verticalização predatória após a chegada dos trilhos.
Para tirar o projeto do papel, o Metrô dividiu o potencial construtivo em dois blocos:
Corpo Principal e Acesso A (Norte): Localizado em Zona de Centralidade (ZC), com potencial construtivo de referência de 2, podendo chegar a 2,90 com incentivos legais.
Acesso B (Sul): Inserido em Zona Corredor 2 (ZCOR-2), com potencial básico limitado a 1 vez a área do terreno. Neste setor, o projeto dará prioridade absoluta para a instalação de praças e amplas áreas verdes.

Desapropriações e a engenharia a 34 metros de profundidade
As frentes de trabalho vão exigir desapropriações cirúrgicas na região do Butantã. O Acesso A (Norte) provocará a desapropriação parcial de um lote de aproximadamente 10 mil m² (com status "cancelado" na base SQL do Geosampa), resultando em uma área total desapropriada de 5.167,40 m² — dos quais 1.559,23 m² correspondem à APP do córrego. Já o Acesso B (Sul) ocupará 3.413,00 m², distribuídos por 4 lotes comerciais na confluência das avenidas.
No subsolo, o desafio de engenharia é gigantesco. A estação Vital Brasil atingirá uma profundidade total de 34 metros (entre o nível da superfície e o topo dos trilhos). Devido ao espaço restrito na superfície, a escavação adotará um método misto:
Poço Lateral: Um mega poço de 35 metros de diâmetro será aberto a partir de uma vala rasa de 14,08 metros.
Método NATM (Túnel Escavado): As plataformas centrais e o túnel de ligação interna serão construídos por escavação subterrânea para não abalar as estruturas da superfície.
Essa escolha técnica visa mitigar os impactos em uma região de tráfego intenso e evitar interferências com redes de utilidade pública já existentes, como grandes tubulações de gás e o banco de dutos de energia vindo da futura subestação Alvarenga. Além disso, o arranjo das plataformas foi empurrado para o lado oeste para não interferir no conjunto arquitetônico do Instituto Butantan, tombado pelo CONDEPHAAT desde 1981.
Integração, Bicicletário e sistema Kiss and Ride
De acordo com as simulações de demanda da Companhia do Metropolitano, a estação Vital Brasil receberá um fluxo médio de 13.729 passageiros por dia útil.
Para organizar essa circulação, o projeto básico traz soluções de mobilidade urbana integrada:
Conexão Universitária: A rua existente a leste do terreno será convertida em calçadão exclusivo para pedestres, criando uma área de fruição qualificada que ligará a estação até a praça Professor Reinaldo Porchat, na entrada da USP.
Integração com Ônibus: Serão implantadas duas novas paradas de ônibus conectadas aos acessos da estação, incluindo uma baia recuada exclusiva junto ao Acesso B.
Parada Rápida (Kiss and Ride): O projeto disponibilizará 7 vagas rotativas para desembarque rápido de passageiros de carros de aplicativo ou particulares (3 vagas na Av. Vital Brasil e 4 vagas na Av. Caxingui), sem previsão de estacionamento de longa permanência.
Ciclovias: Será instalado um bicicletário público com capacidade para 100 vagas junto ao Acesso A, em paralelo com a criação de uma nova ciclofaixa na Avenida Caxingui.
Com informações do Via Trólebus



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