Governo de SP aciona alerta preventivo na rede de saúde contra o vírus Ebola
- Fau Barbosa
- há 20 minutos
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Apesar de o risco no Brasil ser considerado muito baixo, o Estado atualiza protocolos e orienta hospitais após novo surto na África (Divulgação: Governo de SP)
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) atualizou suas notas técnicas com orientações rígidas para toda a rede pública e privada de saúde sobre o surto do vírus Ebola registrado recentemente na República Democrática do Congo. O documento tem caráter estritamente preventivo e visa reforçar os fluxos de identificação, isolamento e atendimento de possíveis casos suspeitos.
Apesar do alerta emitido pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), a avaliação técnica da pasta tranquiliza a população: o risco de introdução da doença no Brasil e em toda a América do Sul permanece muito baixo.
Entre os fatores que barram a chegada da doença estão a ausência de transmissão ativa do vírus no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a região afetada na África e o Brasil, e a própria dinâmica de transmissão, que exige contato direto com fluidos corporais de pacientes que já apresentam sintomas.
Protocolo de vigilância em São Paulo
Mesmo com as chances mínimas de contágio por aqui, o estado de São Paulo concentra o maior fluxo internacional de viajantes do país (através dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos). Por isso, os serviços de saúde foram orientados a manter atenção máxima a pacientes que apresentem o seguinte quadro combinado:
Sintomas: Presença de febre alta súbita;
Histórico de viagem: Ter passado por áreas com circulação ativa do vírus nos últimos 21 dias;
Contato de risco: Ter tido contato direto com sangue ou fluidos corporais de indivíduos suspeitos.
“São Paulo atua de forma preventiva e mantém sua rede preparada para uma resposta rápida e segura. Contamos com protocolos definidos, vigilância ativa, equipes capacitadas e unidades de referência para identificação precoce”, afirma Regiane de Paula, coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).
Quais são os principais sintomas?
A infecção pelo vírus Ebola costuma se manifestar de forma abrupta. O período de incubação (tempo entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sinais) varia de 2 a 21 dias. Os sintomas mais comuns incluem:
Febre alta súbita e fadiga extrema;
Dor de cabeça intensa e dores musculares;
Náuseas, vômitos e dor abdominal;
Diarreia severa.
Em quadros considerados graves e sem o suporte médico adequado, a doença pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque sistêmico e falência múltipla de órgãos. Vale destacar que o vírus não é transmitido antes do início dos sintomas.
Hospitais de referência em SP
Caso surja qualquer caso suspeito no estado, a notificação deve ser feita imediatamente de forma compulsória às vigilâncias municipais. O transporte e a remoção segura do paciente isolado ficam a cargo do Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências e Emergências (GRAU).
O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, foi definido como a unidade de referência oficial do Estado para o isolamento e tratamento de pacientes. Já a investigação laboratorial e o diagnóstico biológico ficam sob a responsabilidade do Instituto Adolfo Lutz.
A secretaria lembra ainda que o surto atual na África está associado à cepa Bundibugyo. Até o momento, não existem vacinas ou terapias específicas aprovadas para esta variante (as vacinas existentes no mercado foram desenvolvidas para a cepa Zaire e não possuem eficácia comprovada neste caso).
A Nota Informativa completa com todos os fluxos técnicos pode ser consultada no portal oficial da Saúde de SP.