Greve na CPTM: Trens das Linhas 11, 12 e 13 param nesta terça (4); rodízio de veículos é suspenso em SP
- Da Redação
- há 23 horas
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Paralisação atinge a Zona Leste e Guarulhos; Metrô antecipa abertura, e ônibus do sistema Paese realizam transporte emergencial de passageiros (Reprodução: Redes Sociais)
Uma paralisação por tempo indeterminado deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB) afetou expressivamente a mobilidade de milhares de passageiros na Região Metropolitana de São Paulo a partir da meia-noite desta terça-feira (04/08).
A greve atinge em cheio os serviços das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (incluindo o Expresso Aeroporto), principais eixos de ligação entre a Zona Leste, o município de Guarulhos e a área central da capital.
Diante do forte impacto no tráfego urbano, a Prefeitura de São Paulo determinou a suspensão do rodízio municipal de veículos durante todo o dia. Já nas primeiras horas da manhã, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou índices de lentidão 40% superiores à média na Zona Leste, reflexo do aumento expressivo no uso de automóveis e transporte particular.
Operação de contingência, Paese e integração no Metrô
Para mitigar o desabastecimento de transporte, o Governo do Estado de São Paulo acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), mobilizando 128 ônibus gratuitos para operar em trechos estratégicos:
Linha 11-Coral: Ônibus do Paese realizam o transbordo de passageiros entre as estações Estudantes e Corinthians-Itaquera.
Linha 12-Safira: Cobertura emergencial montada entre São Miguel Paulista e Calmon Viana. A linha teve uma breve circulação parcial entre Brás e Engenheiro Goulart no início da manhã.
Linha 13-Jade: Veículos conectam as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart.
A rede metroviária, operada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, adotou medidas especiais para absorver o fluxo migratório de usuários. As linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata anteciparam o início do atendimento para as 4h, disponibilizando trens reserva para inserção imediata nas plataformas mais sobrecarregadas, como Brás, Corinthians-Tatuapé e Palmeiras-Barra Funda.
As demais linhas ferroviárias concedidas à iniciativa privada — 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda —, bem como a Linha 10-Turquesa (também sob gestão da CPTM), mantêm operação normal.
Reivindicações da categoria
A decisão pela greve foi aprovada em assembleia na tarde de segunda-feira (03/08), após reunião sem acordo com a Secretaria da Casa Civil. Dentre as pautas apresentadas pelo sindicato estão:
A reestatização e cancelamento do processo de concessão das Linhas 11, 12 e 13 à iniciativa privada (Trivia Trens).
A garantia da manutenção integral de todos os empregos dos ferroviários da CPTM.
O apoio do Poder Executivo para a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa (Alesp), que trata do reaproveitamento e absorção dos funcionários da estatal em outros órgãos da administração pública estadual.
Nota oficial da CPTM e posicionamento do Governo Estadual
Em posicionamento oficial emitido à imprensa, a CPTM e o Governo de São Paulo lamentaram o movimento grevista e destacaram que recorreram à Justiça do Trabalho, obtendo decisão liminar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
O órgão determinou a obrigatoriedade de operação de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos, sob pena de aplicação de multa diária de R$ 400 mil em caso de descumprimento pelo sindicato.
Confira a íntegra da nota da CPTM:
"A CPTM e o Governo do Estado de São Paulo lamentam a decisão do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil — representante dos trabalhadores das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade — de manter a paralisação anunciada para esta terça-feira (04/08), mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações.Na reunião realizada nesta segunda-feira (3), entre representantes do Governo e do sindicato, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, e a inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), sistema de assistência à saúde destinado aos servidores públicos do Estado.A paralisação não contribui para a negociação e seu único efeito será o de prejudicar milhares de trabalhadores, estudantes e passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário. É inaceitável que a categoria use a população como instrumento de pressão política.Diante disso, a CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o TRT fixou uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato. As Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa estarão em operação regular, bem como todo o sistema metroviário, incluindo as linhas administradas pelo Metrô e pelas concessionárias. Para as demais linhas da CPTM, o plano de contingência já foi acionado com o objetivo de reduzir os impactos aos passageiros."