Mulher pede pizza pelo 190 e é salva de violência doméstica em SP
- Fau Barbosa
- há 2 horas
- 2 min de leitura

Atendente da Polícia Militar percebeu o código de socorro; agressor foi preso em flagrante com arma com numeração raspada
Uma ação rápida da Polícia Militar salvou uma mulher de um cenário grave de violência doméstica na última sexta-feira (23), na Zona Sul de São Paulo. Para conseguir denunciar o companheiro sem levantar suspeitas, a vítima utilizou uma tática que ganhou repercussão mundial: ligou para o telefone de emergência 190 e simulou que estava fazendo um pedido de pizza.
Ao ligar para o Centro de Operações da PM (Copom), a mulher iniciou a chamada dizendo: "Oi, eu gostaria de pedir uma pizza". A atendente que recebeu a ligação percebeu imediatamente o tom de urgência velada e emendou o diálogo para não levantar suspeitas no agressor, perguntando se o pedido seria de calabresa ou muçarela. A operadora colheu o endereço de "entrega" e a vítima ainda solicitou que avisassem quando o "motoboy" estivesse a caminho.
Segundo a corporação, os policiais militares já são amplamente treinados para identificar esse tipo de abordagem como um pedido de socorro codificado. Assim que o chamado foi despachado no sistema, uma viatura do 37º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), que fazia patrulhamento pela região do Jardim São Francisco, deslocou-se em caráter de urgência para o local.
Flagrante e apreensão de arma de fogo
Ao chegarem na residência, os policiais abordaram a casa anunciando que "a pizza havia chegado". A mulher conseguiu sair do imóvel e correu em direção aos PMs apresentando fortes tremores e sinais visíveis de nervosismo. Aos prantos, ela confirmou que vinha sofrendo graves agressões físicas e revelou que o companheiro escondia uma arma de fogo dentro de casa.
O suspeito, um homem de 32 anos, tentou fugir do local ao notar o cerco policial, mas foi contido e detido em flagrante. Durante a vistoria no imóvel, as equipes localizaram um revólver com a numeração raspada carregado com cinco munições intactas.
Criança de três anos ficou ferida por estilhaços
De acordo com as informações registradas no boletim de ocorrência, o agressor utilizou um espelho de grande porte para desferir golpes contra a companheira. No meio da confusão, a filha do casal, uma criança de apenas três anos, acabou sendo atingida por estilhaços do vidro que se quebrou durante o ataque.
A menor sofreu ferimentos e precisou ser encaminhada às pressas para o Hospital M'Boi Mirim, onde passou por exames médicos e recebeu atendimento sob a supervisão da mãe, que foi acolhida e direcionada para um local seguro pela assistência social.
O agressor foi conduzido ao 47º Distrito Policial (Capão Redondo). O caso foi registrado oficialmente como lesão corporal decorrente de violência doméstica, ameaça, violência psicológica contra a mulher, dano, perigo para a vida ou saúde de outrem e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O homem permanece preso e à disposição da Justiça.
Canais de Denúncia
Casos de suspeita ou flagrante de agressões contra mulheres devem ser denunciados imediatamente pelo telefone 190 (Polícia Militar) ou pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher).



Comentários