Operação Mosaico: Polícia Civil de Cotia faz operação contra golpes de R$ 10 mi em fiéis
- Fau Barbosa
- há 3 horas
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Investigações revelam que estelionatários se infiltravam em grupos de oração para aplicar o "golpe da fé", ameaçar vítimas e tomar imóveis e carros de luxo
A Polícia Civil deflagrou, nesta segunda-feira (31), uma grande ofensiva contra uma organização criminosa especializada em fraudes financeiras e imobiliárias. A "Operação Mosaico" - cujo nome faz referência à aplicação de vários golpes em vítimas diversas - foi coordenada pela Delegacia de Cotia, e realizada para o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão. O bjetivo foi desarticular um esquema conhecido como "Golpe da fé", que lucrou cerca de R$ 10 milhões em menos de um ano enganando pessoas em momentos de fragilidade financeira.
O "golpe da fé" e o modus operandi da quadrilha
O golpe foi descoberto com o depoimento de uma das vítimas aos policiais de Cotia. Conforme apurado pelas investigações, o esquema vinha sendo praticado por criminosos que se infiltravam em grupos de oração de igrejas evangélicas. No local, eles identificavam fiéis endividados e ofereciam uma falsa solução financeira milagrosa.
Os estelionatários convenciam as vítimas a transferir a propriedade de imóveis e veículos para o nome de uma empresa de fachada identificada pela polícia, sob a justificativa de que os bens seriam usados como garantia para a liberação de financiamentos. No entanto, após realizarem as transferências cartorárias, as vítimas não recebiam os valores prometidos, acumulavam novas dívidas e perdiam seus patrimônios. Ao perceberem a fraude, as vítimas ainda eram ameaçadas.
"O relato de uma das vítimas, é que ela foi ameaçada pelo dono da empresa com arma de fogo", disse a Delegada Titular de Cotia, Dra. Monica Gamboa, à reportagem do Portal Viva.

Foram apreendidos:
7 carros
2 motos
2 armas
22 munições
carregadores
carteira de “Delegado parlamentar”
documentos
Falsas autoridades, carros de luxo e alvos foragidos
Para transmitir credibilidade durante as abordagens, os suspeitos usavam carteiras funcionais falsas com o brasão da República e se apresentavam como autoridades públicas — utilizando títulos inexistentes, tais como "comendadores" ou "delegados parlamentares" de uma suposta Ordem do Mérito Cívico e Cultural. Os veículos utilitários do grupo até ostentavam placas especiais nos para-brisas.
Entre os principais investigados apontados pela polícia estão dois homens, um deles identificado no inquérito como o proprietário da empresa, já possui histórico criminal por estelionato e receptação. O outro, é apontado como o braço direito do esquema e "comendador" fictício. Com mandado de prisão temporária expedido, ele não foi localizado pelas equipes e é considerado foragido da Justiça.

"Foi apreendida também uma carteira, muito semelhante à de delegado de Polícia, e nessa carteira está escrito "Delegado Parlamentar". Tudo isso agora vai fazer parte da investigação", ressaltou a delegada Monica Gamboa.
Mandados, apreensões e desdobramentos
A Operação Mosaico mobilizou 50 policiais civis divididos em 22 equipes operacionais, contando com o apoio tático do Grupo de Operações Especiais (GOE). Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais em Jundiaí, Santana de Parnaíba, São Paulo, Sorocaba e Bertioga. Segundo a Polícia Civil, o endereço do homem com o mandado de prisão, em Jundiaí, estava vazio.
Nos escritórios da empresa na capital, os agentes encontraram apenas os móveis, confirmando a fuga dos suspeitos. Já nas residências de alto padrão dos investigados, a polícia apreendeu armas de fogo, munição, duas motocicletas e cinco veículos de luxo.
Além da atuação da Polícia Civil de Cotia, a empresa também está sob investigação do Ministério Público de São Paulo. Um dos endereços já havia sido alvo de uma operação realizada pelo Grupo de Repressão a Crimes Econômicos e Financeiros (GDEC), do MPSP, com apoio da Polícia Militar, realizada na última quinta-feira (27).
Todos os materiais e veículos recolhidos foram encaminhados à Delegacia de Cotia, e os dispositivos eletrônicos passarão por perícia técnica com quebra de sigilo telemático autorizada pela Justiça para rastrear a rota financeira do grupo.



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