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Plano Diretor: Audiência Pública na Granja destaca trânsito caótico, ruas estreitas e sem calçadas e falta de segurança no bairro

"Não queremos prédios na Granja", dizem moradores


Fau Barbosa

Na última terça-feira, 06, o Ciesp Cotia, na Granja Viana sediou mais uma Audiência Pública referente à revisão do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo. A lista de presença teve a assinatura de 111 pessoas, entre granjeiros, representantes da AETEC, da OAB, do Conselho da Cidade e convidados de vereadores.


Os representantes da Prefeitura falaram sobre o Plano Diretor e as atualizações feitas com capturas de imagens de georeferenciamento, mostrando uma Granja Viana com ocupação de casas imensas e vazias que estão se tornando escolas e locais de festas. Segundo a Prefeitura, os terrenos de 2 mil metros quadrados tem manutenção alta e nada pode ser feito.


A solução seria a vinda de torres. Essa possibilidade gerou protesto no público granjeiro presente. "Não queremos prédios na Granja!"


Manifestações

Após a apresentação, foi dada palavra aos inscritos previamente. O direito foi solicitado por 11 pessoas, cujas manifestações se mostraram contrárias ao que vem sendo proposto pela Prefeitura.


Vários pontos destacados foram citados pelos moradores:

  • Falta de segurança

  • Ruas estreitas

  • Falta de calçadas e de rede de esgoto

  • Trânsito caótico

  • Rodovia Raposo Tavares travada diariamente

  • Lei do Silêncio - não respeitada em um bairro basicamente residencial


Problemas apontados

Uma moradora do centrinho da Granja falou sobre a tentativa de reclassificação das ruas Nova Amazonas e Nova América, cujo projeto quer permitir uso misto (comercial) com construções existentes e novas, além do reenquadramento como via arterial primária. Segundo ela, o local está junto ao córrego Poscium que consolida o centrinho da Granja e são duas ruas de passagem de todos que estão saindo dos bairros do entorno. "Houve o aumento do trânsito em função de inúmeros condomínios aprovados no eixo do bairro. Inúmeros bares, comércios, quadras de esporte, etc. Querem transformar o centro na Vila Madalena de Cotia", declarou. "Isso não é voltado para os moradores do bairro. É um desrespeito às normas do bairro. Não existe estacionamento e os pedestres tem que andar na rua porque não tem calçadas. Fora o desrespeito à Lei do Silêncio, não disciplinada pelas secretarias de Indústria e Comércio e de Segurança. Tudo isso descaracteriza o bairro", destacou a moradora. "Queremos manter o bairro residencial. Com comércio que atenda os moradores. Em prol de uma Granja Viana verde, tranquila e humana. Nós repudiamos as autorizações que estão sendo propostas", ressaltou.


Uma moradora do Jd da Glória se manifestou sobre a falta de saneamento básico no bairro e sobre o problema do trânsito na Rodovia Raposo Tavares. "A Raposo Tavares é o coração da região e ela não suporta essa alteração do Plano Diretor. A gente tem que realmente repensar, avaliar melhor, rever todo esse Plano Diretor", disse.


O morador Dr. Laércio Camargo (ex-vereador e ex-secretário de Meio Ambiente) também se manifestou. "A Granja Viana não precisa de mudança de comércios, não precisa de prédios. Deixa a gente morar como estamos morando. A Granja Viana é o cartão postal de Cotia. Temos tudo o que precisamos. Não precisamos de prédios de 30 andares. Queremos continuar vendo o horizonte e as árvores que nossas famílias preservaram. Não queremos prédios não! A Rua Dom Joaquim com comércio para que, se é uma rua sem saída? A gente não quer prédio. Não mexa na Granja!", finalizou.


Um morador da Rua Cherubina Viana abordou problemas e irregularidades. "Os moradores já esclareceram que não querem nenhum corredor comercial e as ruas indevidamente adulteradas tem que voltar a ser estritamente residenciais", disse.


Após a reunião ele falou à reportagem do Portal Viva sobre o trânsito formado (foto abaixo) por conta de comércio e escolas, que geram uma extensa fila de carros, além dos que ficam estacionados em local proibido.. "O trânsito causado, segundo os moradores, está chegando até o posto e toda a Cherubina fica interditada".

Foto mostra fila de carros para acesso à escola na Rua Cherubina Viana, no centrinho da Granja


Ele relatou ainda que existe um abaixo assinado com mais de 2.000 assinaturas que deve ser protocolado e entregue à Prefeitura de Cotia. O documento destaca: "Ruas residenciais estão se tornando comerciais, empreendimentos estão sendo aprovados sem estudos de mobilidade, de capacidade de fluxo de ruas, sem estudos e consultas à vizinhança, sem infraestrutura e vêm trazendo inúmeros prejuízos à população que já se queixa do trânsito congestionado, do barulho, do acúmulo de problemas com o aumento vertiginoso da população. Acrescenta-se ainda o fato de que o desmatamento incontido e exponencial vem agravando as mudanças climáticas."


No final da reunião, outro morador sugeriu mais tempo para discutir, com estudos individuais, estudo de mobilidade etc. "Prorrogar o Plano Diretor, picar os assuntos e evoluir. A gente quer ter cidade inteligente, segurança, ESG. Um momento legal de discutir o nosso município", destacou.


Documentos entregues

Durante as falas as demandas foram entregues à Prefeitura. Entre elas um documento assinado por seis entidades ambientalistas: Coletivo PanVerde, Associação de Moradores e Amigos da Granja Viana, Transition Tows Granja Viana, Associação Amigos do Parque CEMUCAM, Sociedade Ecológica Amigos do Embu e Preservar Ambiental Itapecerica da Serra.


O documento solicita o adiamento das decisões do Plano Diretor por um prazo de 12 meses. Segundo as entidades, "a urgência da revisão do Plano Diretor não justifica a aceitação de Audiências Públicas ocorridas em apenas três bairros da cidade e com tão pouco comparecimento (menos de 100 pessoas) – quando a população atual do município de Cotia corresponde a 273.400 habitantes (segundo o último censo)."


O documento fala ainda de "inúmeros documentos de situações polêmicas, encaminhados ao Ministério Público pela população, relativas ao zoneamento aplicado pela atual Administração estão ainda pendentes de resolução judicial, exigindo atenção e adequações;  Estudos e pareceres técnicos apontam a inegável relevância do fato de que as preocupações com o zoneamento têm sido baseadas apenas nas tendências de demanda do comércio e de moradias, sem levar em conta as condições de tráfego, trabalho, empregos e de serviços como saúde e educação, o que repercute diretamente na qualidade de vida e na saúde dos moradores,"


Documento entregue pelas entidades ambientalistas pede adiamento de decisões


Associação de Moradores

Vários problemas tem sido discutidos no grupo de criação da Associação de Moradores do bairro (AMOGV). Muitas questões importantes vieram à tona com a possibilidade da vinda de prédios:


  • Como era a Granja Viana e o que mudou?

  • Quais as justificativas de interesse público?

  • Quais os benefícios para os moradores?

  • Como fica a São Camilo?

  • E o problema do trânsito na região?

  • E as obras da Rodovia Raposo Tavares?

  • Existe algum projeto de prédios no miolo da Granja?


Segundo a Secretaria de Habitação, "A cidade é dinâmica e compõe a Região Metropolitana de São Paulo, devendo articular seu desenvolvimento com o dos municípios vizinhos, sem deixar de lado o seu protagonismo na região".


Plano Diretor e Mapas

As minutas da revisão do Plano Diretor e os respectivos mapas apresentados pela Prefeitura durante a reunião podem ser acessados neste LINK.


Quarta reunião

Atendendo a um pedido de munícipe feito na reunião anterior, no próximo dia 22/02 será realizada mais uma audiência pública. A reunião acontece às 19h, na Estrada Vera Bottaro de Oliveira, 96, no bairro do Caputera.


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