Macacos-aranha-da-testa-branca ameaçados de extinção reforçam programa de conservação no Zoológico de SP
- Fau Barbosa
- há 1 dia
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Primatas resgatados em Mato Grosso viajaram quase dois mil quilômetros; Cigarra, Formiga e Cupim já podem ser vistos pelo público (Divulgação: ZooSP/Leandro Ferreira Amaral)
O Zoológico de São Paulo recebeu um reforço de peso para a preservação da fauna nacional. Três novos macacos-aranha-da-testa-branca (Ateles marginatus) vindos de Sinop (MT) passaram a integrar o programa de conservação da instituição. Os novos moradores — batizados de Cigarra, Formiga e Cupim — percorreram quase dois mil quilômetros até a capital paulista com o objetivo de formar um grupo reprodutivo e ampliar a população de segurança da espécie, que está sob grave risco de extinção.
Os animais se juntaram a Joca, único representante da espécie que já habitava o local. O processo de aproximação foi concluído com sucesso na última semana, e o grupo agora compartilha o mesmo espaço na ilha dos primatas, já disponível para a visitação do público.
Histórico de resgate e reabilitação
As trajetórias dos três novos integrantes até São Paulo foram marcadas por situações de risco na Amazônia Legal:
Cigarra: A fêmea de quase três anos foi encontrada ainda filhote após um incêndio florestal no norte de Mato Grosso.
Formiga: O macho de oito anos foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros em uma rodovia.
Cupim: O jovem macho de quatro anos foi localizado ao lado da mãe, que infelizmente morreu atropelada em uma via urbana de Sinop.

Antes da transferência, o trio passou por um longo período de recuperação no Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sob a coordenação da professora Elaine Dione, recebendo acompanhamento nutricional, veterinário e comportamental para preservar seus hábitos naturais. O transporte aéreo até a capital paulista foi realizado em março por meio do programa Avião Solidário da Latam.
Manejo genético contra a extinção
Endêmico do Brasil, o macaco-aranha-da-testa-branca habita os estados de Mato Grosso e do Pará, sendo considerado "Em Perigo" de extinção pelo ICMBio. O desmatamento, incêndios e a fragmentação do habitat são as principais ameaças a esses animais, conhecidos pelos membros longos, cauda preênsil e a característica mancha triangular branca na testa.
A chegada dos primatas viabiliza a criação de linhagens genéticas seguras. A bióloga do Zoológico de São Paulo, Tays Izidoro, é a responsável nacional pelo studbook da espécie — um banco de dados que mapeia o parentesco, idade e histórico reprodutivo dos animais mantidos sob cuidados humanos no país. O estudo genético direciona a formação dos casais mais adequados para garantir a diversidade e a sobrevivência da espécie, que também integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos do ICMBio.