Operação Merx: Delegacias da região são alvos do MPSP em ação contra corrupção na Polícia Civil
- Da Redação

- há 1 dia
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Gaeco e Corregedoria investigam esquema em que policiais utilizavam a estrutura da corporação e sistemas de inteligência para extorquir comerciantes e desviar cargas de eletrônicos (Foto: Fau Barbosa/Portal Viva)
A Corregedoria Geral da Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com o suporte do Departamento de Operações Estratégicas (Dope), deflagraram nesta sexta-feira, 28, a Operação Merx. A ação visa desarticular uma organização criminosa voltada aos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Grande São Paulo.
A Justiça decretou a prisão preventiva de quatro policiais e outros três alvos, entre eles um advogado e duas pessoas ligadas ao esquema de contrabando de eletrônicos que pagavam propina para agentes públicos. Entre os 18 endereços alvos de busca e apreensão estão três unidades da Polícia Civil na Grande São Paulo: a Delegacia Central de Embu das Artes, o 2º DP de Cotia, na Granja Viana, e a Delegacia de Santana de Parnaíba. A operação também realizou correições extraordinárias e fiscalizações nessas unidades policiais após a execução das ordens judiciais.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Goiás. O Poder Judiciário determinou o sequestro e o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos investigados, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal.
Mensagens, fotos e a "caixinha da alegria"
A investigação colheu provas de que um advogado atuava como intermediário entre os policiais e os empresários. Ele era responsável por fazer a cobrança dos subornos, fornecer chaves Pix e prestar contas do dinheiro recolhido em espécie.
Em uma das mensagens analisadas pelos peritos, foi encontrada a fotografia de uma caixa de papelão cheia de maços de dinheiro. Em um áudio interceptado, o conteúdo dessa caixa foi chamado pelos envolvidos de "caixinha da alegria". Em outro evento citado na apuração, os policiais reportaram formalmente a apreensão de apenas 250 celulares de um total de 4.000 aparelhos que eram transportados no caminhão.

Afastamento
Um dos investigados, um policial civil de 1ª classe, foi suspenso do exercício da função pública por determinação da Justiça e está proibido de manter contato com testemunhas e outros investigados.
A perícia identificou que o login funcional deste policial foi utilizado para realizar 13 acessos ao sistema de inteligência Muralha Paulista/Cortex para monitorar um caminhão associado a um dos casos sob apuração. A finalidade dos acessos e a extensão de sua participação continuam sendo apuradas.
Entenda o esquema de extorsão
Segundo as investigações, policiais civis utilizavam a própria infraestrutura da corporação — incluindo equipamentos, dependências policiais e o sistema tecnológico de monitoramento Muralha Paulista/Cortex — para rastrear caminhões que transportavam celulares e outros aparelhos eletrônicos provenientes de descaminho (contrabando).
Ao abordarem os veículos, em vez de realizarem o registro formal e a apreensão integral das mercadorias, os agentes exigiam vantagens indevidas para liberar o carregamento ou devolver parte dele aos proprietários. As propinas exigidas chegavam a aproximadamente 70% do valor total das mercadorias. Para dar uma aparência de legalidade, parte do lote era registrada oficialmente enquanto o restante permanecia oculto e estocado nas próprias dependências das delegacias.
A apuração do Gaeco identificou que, apenas desde 2024, pelo menos quatro episódios movimentaram cerca de R$ 2,35 milhões em pagamentos indevidos. Em uma das ocorrências, de agosto de 2024, os investigados negociaram a liberação de uma carga mediante o pagamento de R$ 700 mil.
Com informações da SSP/SP



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